A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 21/07/2020

O filme “Ela é o Cara” retrata a história de Viola, uma menina apaixonada por futebol, mas que acaba se submetendo a fingir que é seu irmão gêmeo para ter acesso ao esporte. Saindo da ficção, a exclusão feminina nos esportes ainda faz parte do cenário brasileiro, no qual as mulheres não são suficientemente valorizadas no mundo esportivo, chegando até a serem vítimas de preconceito e inferiorização quando comparadas à homens; esse panorama é evidenciado pela cultura machista e excludente de minorias no Brasil. Neste sentido, é necessária a análise da problemática, que está intrinsecamente atrelada a fatores culturais.

O machismo é qualquer opinião ou atitude que discrimine a ideia de igualdade de gênero, e neste ponto, esta opressão se evidencia no artigo 55 do Decreto-lei 3199 de abril de 1941, época no qual o Brasil era governado por Getúlio Vargas; tal item legislativo diz que “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.”. Essa cláusula é sobretudo, parte de uma opinião política, que assim como a maioria dos ideais legais, veio a moldar o pensamento do brasileiro sobre tal tema. Na atualidade, tal ideologia ainda prospera, e pode ser vista em frases do senso comum do país, como “futebol é coisa de menino”, como modo de dissuadir as mulheres a praticarem tal atividade.

Em segunda análise, segundo a Declaração Universal dos Direitos humanos, é direito de todos a igualdade. No entanto, no contexto brasileiro essa declaração é desconsiderada, pois as mulheres continuam sendo opressas, desvalorizadas e imperceptíveis pelo corpo social, quando se trata de direitos no esporte. Um exemplo a ser citado é a falta de visibilidade para o título concedido a Marta, considerada a maior artilheira da seleção brasileira após marcar 98 gols em jogos pela equipe do país, assim, ultrapassando o marco de Pelé, que possui 95 gols. O princípio da isonomia entre homens e mulheres é importante para a sociedade, uma vez que ela empoderaria mulheres e mudaria a concepção machista em ideologias populares.

Por conseguinte, é dever do Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação e com o Conselho Nacional do Esporte, efetivarem a lei da igualdade prevista na Declaração Universal dos Direitos humanos, que garantirá a isonomia entre gêneros, e assim, valorizará a participação feminina nos esportes. Tal efetivação pode ser feita por meio de palestras apresentadas por profissionais da educação, e que ensinarão para todos os públicos a importância da igualdade, de modo a desconstruir paradigmas sociais. Destarte, o Brasil será um país que valorizará mais a presença das mulheres no desporte.