A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 21/07/2020

Os Jogos Olímpicos tiveram sua origem na Grécia no século VIII a.C, configurando-se em competições baseadas em ideais de força e agilidade, sendo resgatados posteriormente no século XIX pelo Barão de Coubertin. Contudo, apesar dos jogos serem inclusivos no que tange a participação de diversas nacionalidades, foram quase que exclusivos aos homens durante as primeiras décadas, limitando a presença feminina nas competições. Esse cenário antagônico deriva tanto da própria estrutura social patriarcal quanto da falta de incentivos às mulheres atletas e tendo em mente que a igualdade entre gêneros é um dos objetivos a serem atingidos pela Agenda 2030, faz-se necessária a discussão sobre os principais desafios no que diz respeito a valorização do esporte feminino no Brasil.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a sociedade contemporânea ainda é fundamentada no sistema patriarcal, em que cabe à mulher o papel de gestora da casa, responsável pelo bem-estar da família e educação dos filhos. Embora, segundo o último censo realizado em 2010 pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) apontar a participação de 49,9% das mulheres no mercado de trabalho, ainda existe uma discriminação quanto à natureza das ocupações. De forma análoga, às mulheres é  negada a categoria de atleta, devido a preconceitos e estigmas do “sexo frágil” e da “delicadeza” embutidos na personificação da figura feminina.

Em segunda análise, a principal consequência da visão patriarcal refere-se a falta de incentivos ao ingresso da mulher nos esportes, ainda que a igualdade de gênero seja alicerçada na Constituição que prevê a dignidade da pessoa humana como fundamento a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, sem preconceitos de origem, raça, sexo e cor; as atletas tem conquistado seu espaço mediante a muita luta. Ademais, as ligas femininas de esporte não recebem a mesma cobertura midiática com a transmissão dos jogos, por exemplo, e patrocínios na mesma proporção que os homens, o que gera essa visão de não pertencimento da mulher no espaço esportivo.

Assim, diante do exposto, medidas exequíveis são necessárias com a finalidade da valorização do esporte feminino no Brasil. Dessarte, com o intuito de mitigar práticas segregacionistas no ambiente esportivo o Governo Federal deve, por meio do Tribunal de Contas da União, direcionar capital para a Secretaria Especial do Esporte, que deverá reverter a verba em programas de incentivo a inclusão feminina com bolsas auxílio a jovens atletas, criação de espaços destinados exclusivamente as mulheres, fomento a criação de ligas femininas, além de aumentar a visibilidade publicitária dos times femininos. Desse modo, espera-se promover o ingresso de mulheres nos esportes, demonstrando as jovens meninas que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no esporte.