A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 20/07/2020

Intrínseca à sociedade de bases patriarcalistas, institucionalizada desde o processo de formação da identidade social brasileira, a misoginia constantemente permeia diversos âmbitos da comunidade, mormente aqueles que alimentam a indústria do espetáculo, de reprodução em massa. Embora a nação caminhe visando a abolir o supracitado, tal progresso dá-se a passos curtos, desencorajando a participação feminina em esferas como o esporte, devido à falta de visibilidade, patrocínio e estímulo. Isso posto, verifica-se a gênese da carência da valorização do esporte possuindo as mulheres como protagonistas.

Anexo ao processo histórico-evolutivo dos jogos, nas Olimpíadas Antigas, era vedada a atuação da parcela feminina na sociedade, episódio que seria repetido séculos posteriores nas Olimpíadas Modernas. Conquanto tenham havido reivindicações por intermédio das mulheres, inúmeras foram as justificativas visando a convencer a população da discrepância entre o esporte e as “atividades femininas”. Logo, compreende-se a privação de estímulos ao assunto em debate, a qual ainda é vigente.

Introduzindo o esporte, a priori o futebol, como fomentador da Indústria Cultural brasileira, há uma negligência da visibilidade feminina, já que aquela tende a reproduzir os valores cristalizados das massas, de modo a obter um superávit de audiência. Ainda que sejam visualizadas parcelas que buscam reverter o sobredito, estas são, por vezes, caladas e esquecidas. Dessa maneira, delineia-se uma mídia nacional subjugada ao discurso enraizado de uma sociedade misógina e que não mostra indícios de emancipação.

Destarte, medidas são necessárias para contemplar a valorização do esporte feminino na sociedade brasileira. É mister que os órgãos sociais, auxiliados por instituições de ensino e por veículos midiáticos, trabalhem incessantemente a desconstrução do androcentrismo, tão prejudicial à comunidade como um todo, a partir de palestras e dinâmicas, intencionando a possibilidade de uma igualdade em todas as esferas da coletividade. Ademais, que a Indústria Cultural dê maior visibilidade ao esporte feminino, o divulgando e o legitimando, a fim de tirá-lo de uma categoria secundária, e promovendo patrocínio e estímulo às mulheres, ímpar ao que ocorreu no processo histórico e ainda é corrente.