A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 22/07/2020
Simone de Beauvoir, grande ativista política, filósofa e feminista, escreveu em ´´ O Segundo Sexo´´: ´´Não se nasce mulher, torna-se´´. Nesse contexto, destaca-se a construção na sociedade do ser feminina, desde do nascimento até a morte, o que corrobora com estereótipos e padrões sociais, que por conseguinte as desvaloriza no trabalho, nos esportes e na vida. Com isso, nota-se a influência da sociedade na valorização das atividades femininas e em seu desprezo, assim é necessário uma intervenção que mude significativamente essa realidade.
De início, observa-se as inúmeras vezes que o estado interviu para que não houvesse a participação das mulheres nos esportes, um exemplo disso, é o decreto lei número 3.199, de 14 de abril de 1941, que foi usado na Ditadura Militar e na de Getúlio Vargas, nele há a proibição da prática de várias atividades por parte da população feminina brasileira. Essa situação, relaciona-se com a sociedade de hoje, pois é visível a desvalorização e a sexualização das mulheres, tanto na mídia quanto nas famílias, instituições educacionais e redes sociais. Dessa forma a valorização no âmbito esportivo é escassa, tendo em vista os patrocinadores, os investimentos, a visibilidade e o apoio das instituições.
Como consequência dessa má influência, há em grande parte da população o desprezo a atividades feitas por mulheres, torna-se mais presentes essas atitudes em época de Olimpíadas, isso ocorre com maior frequência no futebol, judô, boxe, taekwondo, etc, esses que são considerados ´´esportes para meninos´´. Contudo, a popularização vem crescendo, novos nomes vêm surgindo a cada década como: Sarah Menezes, Rafaela Silva, Natália Falavigna, Marta e tantas outras.Isso mostra que o Brasil está deixando de lado alguns padrões sociais, algo importantíssimo para evitar e não criar situações como o decreto lei 3.199.
Portanto, fica evidente a importância da equidade de gênero nos esportes, especialmente no Brasil, para que assim exista maior representatividade feminina. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Cidadania, união do Ministério do Desenvolvimento Social, do Esporte e o da Cultura promover debates, competições, treinos e programas sociais, por meio da instalação de ginásio e estádios de atletismo – que deverão possuir eventos mensalmente e gratuitos-, a fim de evitar a falta de representatividade e a valorização do esporte feminino no Brasil. Desse modo, a construção do ser feminina evoluiria, e a frase de Simone de Beauvoir, ´´Não se nasce mulher, torna-se´´ teria outros significados, as jovens meninas teriam maiores oportunidades e a sociedade não seria tão retrógrada.