A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 28/07/2020
De acordo com a Constituição Federativa do Brasil de 1988, em seu Artigo 1°, todos os indivíduos são merecedores de igual respeito e consideração por parte da sociedade e do Estado, o qual configura o princípio da dignidade humana. Contudo, tal preceito não é ratificado no Brasil hodierno, haja vista a dificuldade na valorização do esporte feminino, oriundo tanto de um estereótipo social com relação ao espaço da mulher quanto de uma falta de incentivo governamental.
A princípio, é importante destacar a existência de uma forte repressão a qualquer ação ou ideia que fuja do que é considerado da essência feminina. A série televisiva norte-americana “The Handmaid’s Tale” retrata a distopia de Gileade, na qual há uma extrema objetificação do papel feminino na sociedade: reproduzir, apenas. Análogo a isso, a existência desse molde socialmente aceito e imposto às mulheres é notória, além da repressão e marginalização que, embora não seja tão brutal como na série, é muito presente na vida das que tentam algo diferente, como as práticas esportivas.
Ademais, os esportes exercem um papel fundamental na saúde física e mental dos seres humanos. No entanto, durante o Estado Novo, Getúlio Vargas assinou um decreto proibindo a prática de futebol e outros esportes pelas mulheres, sob a justificativa de ir contra a natureza feminina. Assim, também é visível o precário investimento por parte do Estado em promover políticas públicas as quais tenham como objetivo viabilizar cada vez mais o esporte feminino, além de fomentar uma igualdade de gênero.
Portanto, o Ministério da Educação — órgão responsável pelas políticas nacionais de educação — deve incluir a igualdade de gênero no Plano Nacional de Educação e, por meio de subsídios providos pelo Ministério da Economia, incluir a educação sexual nas escolas, com o intuito de desconstruir cada vez mais os estereótipos atrelados à mulher e assim aumentar seu espaço em posições antes vistas com receio, como nos esportes. Além da adoção de políticas públicas que visem aumentar a inclusão das mulheres nos esportes pelo Ministério da Economia, possibilitando maior visibilidade à prática.