A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 31/07/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à igualdade de gênero e ao bem-estar social. No entanto, a participação feminina no esporte é uma problemática para que isso ocorra de fato. Esse cenário antagônico é fruto, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.
Antes de tudo, é preciso entender que a desvalorização do esporte feminino deriva da baixa ação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir à harmonia da população, entretanto, isso não acontece no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a prática do esporte e o ser mulher, dentro de uma sociedade que ainda têm preconceitos arraigados, acaba por dificultar a mobilidade e a visibilidade das atletas no meio esportivo, gerando, assim, um desconforto para essa parcela da população. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o preconceito da sociedade como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, desde a infância, por exemplo, observa-se “brincadeira de menino” e “brincadeira de menina”. Menino não pode brincar de boneca nem menina de carrinho. Mais tarde, determinadas tarefas domésticas ou profissionais são delegadas a homens ou mulheres, dependendo de seu tipo. O mesmo acontece com os esportes. Futebol é “coisa de homem”. Ginástica é “coisa de mulher”. Homens que pratiquem esportes ditos femininos enfrentam piadas cheias de significados pejorativos. Com as mulheres, percebe-se a “masculinização” ou o apelo sexual como constantes formas de retrato na mídia. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o preconceito da sociedade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Por fim, para combater a desvalorização do esporte feminino no Brasil são necessárias alternativas concretas que tenham como protagonistas a tríade Estado, mídia e escola. O Estado, em parceria com a mídia nacional, deverá desenvolver campanhas de incentivo - por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens a serem veiculados nas mídias sociais - a fim de orientar a população sobre a importância da inclusão feminina no esporte. Por sua vez, a escola, instituição formadora de valores, deve promover palestras a pais e alunos que discutam essa situação de maneira clara e eficaz, com o intuito de amenizar a desvalorização do esporte feminino. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: ”O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação."