A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 21/07/2020

Ao longo da construção da sociedade brasileira, o patriarcalismo sempre esteve fortemente presente, evidenciando-se, por exemplo, nos governos de Dom Pedro I e de Getúlio Vargas. Nesse sentido, enquanto em um, a mulher era proibida de se alistar ao ofícios militares, no outro, a prática do futebol feminino era totalmente ilegítima. Sobre essa perspectiva, observa-se ainda nos dias atuais, a falta de valorização do esporte feminino, marcado pelo preconceito decorrente de uma sociedade hierarquizada. Essa, por sua vez, gera a ausência de visibilidade das práticas esportivas femininas e aumenta o número de desafios a serem enfrentados pelas mulheres.

A princípio, a falta de credibilidade do esporte feminino resulta das diversas marcas de preconceito à mulher, existentes em diferentes épocas da sociedade brasileira. Dessa forma, é imprescindível citar  que, uma das maiores combatentes da Guerra da Independência do Brasil foi Maria Quitéria, uma mulher que precisou se caracterizar como a figura masculina do soldado Medeiros para, então, poder lutar pelos seus ideais emancipatórios. Tal fato evidencia a rigidez estrutural de uma sociedade hierárquica, na qual o universo masculino é considerado superior ao feminino. Sob essa lógica, determinadas atividades são consideradas praticáveis apenas por homens, como é o caso do futebol, da luta, entre outros, gerando um ambiente que desvaloriza as características femininas, incluindo as praticas esportivas por mulheres.

Ademais, faz-se necessário ressaltar que, assim como as mulheres conquistaram o direito ao voto eleitoral apenas a partir de 1927, somente no século XXI o esporte feminino têm ganhado alguma notoriedade. Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a participação das mulheres nos Jogos Olímpicos em 2019, ultrapassou 40%, porém, não chega a metade dos atletas participantes. Dessa maneira, percebe-se que a participação das mulheres no esporte cresceu ao longo da democracia, no entanto, não é ainda o suficiente para dizer que houve uma inclusão total da prática esportiva feminina na sociedade, o que a torna também um desafio a ser enfrentado pelas mulheres.

Posto isso, para mitigar a problemática, cabe ao Governo Federal juntamente com o Ministério do Esporte, incentivar a prática esportiva feminina, por meio da criação de clubes esportivos que abranjam a participação da mulher, além de ofertarem subsídios às atletas, de modo com que essas possam investir em suas carreiras no esporte profissionalmente. Outrossim, é obrigação do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, ensinar ao indivíduo a importância da mulher na sociedade, incluindo a sua atuação nos diferentes esportes existentes, sem haver discriminação.