A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 28/07/2020
A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, busca garantir a universalização de direitos e a igualdade entre os cidadãos do país. Entretanto, esses ideais são extremamente recentes, como evidencia a proibição de mulheres praticarem “desportos incompatíveis com sua natureza”, segundo um decreto-lei publicado em 1941. Ainda que regras como a essa sejam passado, o esporte feminino continua sofrendo com pouca visibilidade e valorização no Brasil, consequência das profundas raízes patriarcalistas que formam a cultura nacional.
Em primeiro lugar, é evidente que a prática esportiva por mulheres ainda é altamente desvalorizada pelo povo brasileiro. Apesar da visível melhoria em seu desempenho nos últimos anos, como mostra a jogadora Marta ao superar Pelé e tornar-se a maior artilheira da Seleção Brasileira de Futebol de todos os tempos, a importância dada a jogadores homens ainda é muito superior. Times de relevância nacional como o Atlético Mineiro, por exemplo, só estabeleceram equipes femininas no ano de 2019 por exigências da FIFA, enquanto que seu equivalente masculino já existe há décadas.
Apesar de entidades responsáveis buscarem fomentar, por meio da obrigatoriedade de times femininos, a prática esportiva por mulheres, o problema tem raízes culturais que impedem a plena eficácia dessas medidas. Tradicionalmente, o papel da mulher na sociedade se restringia a ser dona de casa, conforme a socióloga Nathalia Ziê expõe, era limitado ao espaço privado do lar. Atividades como prática esportiva, ter um emprego formal e ocupar cargos públicos relevantes só começaram a ser consideradas aceitáveis para essa parcela da população com a segunda onda do movimento feminista na década de 1970, e suas consequências sutis permeiam a sociedade até os dias atuais.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o impasse. Cabe ao Ministério da Cidadania, responsável pela pasta de Esportes, por meio do repasse de verbas federais às prefeituras, criar o programa “Meninas no Esporte”, que estabeleceria escolinhas gratuitas para meninas das modalidades esportivas mais populares no Brasil em todos os municípios do país. Dessa maneira, desde a infância, mulheres seriam incentivadas a participar de desportos, normalizando então a ideia de que ambos os gêneros tem potencial a ser explorado como atletas. Somente assim, jogadoras profissionais receberão o devido reconhecimento, alcançando o ideal de igualdade entre gêneros previsto na Constituição Federal.