A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 22/07/2020

Na mitologia grega, Procusto era um bandido que tinha uma cama com seu tamanho exato, e convidava viajantes para se deitarem nela, caso fossem maiores ou menores, em relação ao formato da cama, ele cortava ou esticava as partes de suas vítimas, até que adequassem-se ao tamanho da cama. Consoante a isso, esportistas brasileiras vêem-se inferiorizadas apesar de terem o trabalho e conquistas, ou forçadas a ajustarem-se em moldes criados pela sociedade de papel feminino. Nesse sentido, faz-se entender a importância da valorização, no Brasil, das mulheres no esporte.

Primeiramente, mesmo com a superação legal dos impasses para a prática dos esportes sofridos pelas mulheres, ainda existem grandes muros mentais a serem derrubados. De acordo com isso, no futebol, esporte de maior prestígio nacional, figuras como a Marta, ganhadora seis vezes do título de melhor jogadora do mundo e maior artilheira da história da Seleção Brasileira, feminina e masculina, ainda ganham menos financeiramente em relação aos esportistas masculinos da mesma área, como apresentado pelo jornal O Globo em 2019, quando a jogadora ganhava menos de 1% do salário do Neymar, jogador que nunca ganhou um título de melhor do mundo. Dessa forma, evidencia-se como, mesmo existindo excelentes exemplos de esportistas, há a falta da presença dessa na mídia, contribuindo com a manutenção da mentalidade ultrapassada da natural inadequação feminina aos esportes.

Ademais, os papéis sociais de gênero são criações tóxicas produzidas pela sociedade. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade, através da linguagem, monta, de maneira invisível, uma lógica interiorizada nas pessoas, a qual por meio da repetição continua de uma mesma visão termina por naturaliza-la em relação às demais. Por conseguinte, uma figura do que seria uma ser mulher é criado e repassada, inferiorizando quem não se encaixa no molde de fragilidade e submissão. Dessa maneira, esportistas femininas são consideradas anormais, recebendo diárias críticas e julgamentos, e assim, ajudando na conservação da reprodução desses papéis.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, fica clara a importância do reconhecimento feminino no esportes para fim de quebrar estigmas sociais da figura feminina. Sendo assim, o Ministério da Cidadania, com o auxílio de grandes emissoras da mídia nacional, deve promover a figura feminina também no ambiente do esporte, através da transmissão de campeonatos esportivos femininos, com comentaristas mulheres, para que essas esportistas ganhem mais visibilidade e patrocínio, e auxiliando no fim do mito do “sexo frágil”. Por fim, menos pessoas serão forçadas a camas de Procusto.