A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 26/07/2020

O Artigo 2017° da Constituição Federal Brasileira estabelece que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada cidadão. Entretanto, essa regra do jogo democrático não se viabiliza na prática, uma vez que a inserção do gênero feminino ao esporte é negligenciada. Isso ocorre devido ao preconceito enraizado no país e à desigualdade de gênero advinda de uma sociedade patriarcal. Assim, hão de ser analisados tais elementos, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

Em primeiro plano, é imprescindível verificar a negligência do direito das mulheres, no que tange ao esporte. Em virtude da desigualdade de gênero presente no país, até os dias atuais - no qual em meados do século XX, as mulheres foram proibidas de praticarem esportes vistos, por parte da sociedade, como praticáveis apenas por homens - o Estado torna um entrave desse benefício. Consoante o pensamento do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, na medida em que o Estado isenta-se da garantia dos direitos do cidadão, há um descumprimento do contrato social elaborado junto à sociedade. Dessa maneira, essa insuficiência do aparato institucional no atendimento das demandas da nação não só contribui para o descaso com a inclusão das mulheres ao esporte, mas também transgride o bem assegurado na Constituição. Faz-se, portanto, a dissolução dessa conjuntura.

Outrossim, vale também ressaltar a ausência de uma educação expansiva capaz de romper os paradigmas do preconceito e a exclusão do gênero feminino nas ações sociais, uma vez que a ascensão da mulher no esporte representa um importante avanço social. Porém, a falta de patrocínio e a negligência da mídia em não divulgar a ocorrência do futebol  feminino, corrobora o desprezo da população. Nesse viés, conforme o pensador francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam, para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Desse forma, adquirir o conhecimento da informação supracitada é fundamental para transpor as barreiras de desvalorização do esporte feminino.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação investir em projetos esportivos educacionais, nas escolas, por meio de eventos socioculturais, como jogos recreativos, que estimulem as crianças, desde a infância, ensinando-lhes o conceito de igualdade de gênero. a fim de quebrar o paradigma de que “esporte é apenas para homens”. Em adição, o Ministério do Esporte, em parceria com o Poder Midiático, deve desmistificar os esteriótipos relacionados a mulher ao esporte, por meio da transmissão igualitária de campeonatos femininos e masculinos. Assim, o objetivo da CF será efetivado.