A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/07/2020
O esporte, tal como prática social, reflete os padrões de comportamento e os valores de uma sociedade. No entanto, no Brasil, tais valores oriundos da colonização perpetuaram a idealização da mulher como um ser frágil e com obrigações reprodutivas e maternais. Nesse sentido, em decorrência de uma cultura patriarcal e machista, o desenvolvimento do esporte feminino possuiu vários óbices e até passou pela ilegalidade. Não obstante, apesar de superar vários entraves e estar em crescimento atualmente, ainda não possui grande valorização no país de modo que tanto a objetificação da mulher quanto a falta de patrocínio contribuem para invisibiliza-las.
Mormente, é importante salientar que a mídia contribui imensamente para a erotização e objetificação dos corpos femininos nos esportes. Exemplo disso, foi o projeto do Campeonato Paulista feminino em 2001, que tinha o objetivo de desenvolver ações que enaltecessem a beleza e a sensualidade das jogadoras para atrair o público masculino. Destarte, valorizou-se a aparência das jogadoras e não o talento, contribuindo com a ideia de que estas não possuem aptidão para tal como os homens, mas sim, e somente para, trazer prazer a estes. Não obstante, conforme a professora Goellner da UFRGS, as próprias fotos estáticas e de partes do corpo específicas que são divulgadas pela mídia não passam uma imagem de habilidade, como as masculinas, e sim de sensualidade.
Outrossim, como as atletas aparecem poucas vezes na mídia, de modo não objetificado, grande parte dos telespectadores não tem ciência dos acontecimentos e, portanto não há a possibilidade de acompanhar o mesmo. A exemplo tem-se a Copa do Mundo de Futebol Feminino, onde apenas uma emissora televisionou os jogos, enquanto grande parte da população nem sequer sabia da transmissão do evento. Segundo Goellner, em entrevista com o Dimensão Olímpica, são pouquíssimas as propagandas, assim como a divulgação de campeonatos, os patrocinadores e investimentos, de modo que se cria uma espécie de efeito dominó. Sem o básico equipes esportivas não tem como se manter ou como participar de campeonatos, portanto não ganham nem visibilidade, nem valorização.
É notório que muito se conquistou no esporte feminino, porém se está longe de ser suficiente para uma real valorização dessas atletas. Urge que o Estado, adjunto do Ministério da Educação e Esporte planeje e desenvolva projetos escolares gratuitos, para toda a comunidade, a fim de estimular praticas esportivas, integrando ambos os sexos e desconstruindo o ideal machista. Ademais, cabe ao Ministério do Esporte promover investimentos, por meio de acordos com empresas privadas e mídia para o financiamento do esporte feminino e divulgação não erotizada das atletas e de competições, além de transmissão igualitária de campeonatos. Dessa forma, poder-se-á valorizar o esporte feminino no Brasil.