A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/07/2020

Na Grécia Antiga quando os gregos criaram os Jogos Olímpicos as mulheres já eram excluídas das competições, o evento acontecia de quatro em quatro anos e apenas homens se reuniam para honrar os deuses com jogos e lutas. Em 1941 no Brasil, ocorreu um decreto-lei na qual proibia a participação das mulheres em esportes, apenas em 1983 que o futebol feminino foi oficializado pelo governo brasileiro. Nesse sentido, surge a questão da valorização do esporte feminino, que persiste intrínseca à realidade brasileira, seja pelo machismo ou pela falta de apoio financeiro.

Historicamente, o esporte e a competição sempre foi alvo de incentivo masculino, como forma de demonstração de poder, virilidade e masculinidade. Esses fatores sociais e muitos outros foram enraizados na construção da sociedade. Tudo contribuiu para que as mulheres fossem incentivadas a não praticar. Apesar do ingresso das mulheres em quase todos os esportes, ainda é grande o machismo nesse campo. As brincadeiras e piadinhas são constantes, comentários como, “você devia estar em casa”, “esporte não é coisa de mulher”, ainda são recorrentes dentro de torneios.

Outro fator importante que o esporte feminino enfrente é sem dúvidas o apoio financeiro. O valor investido nas mulheres ainda é muito mais baixo em comparação aos homens. Uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU) para mapear a prática de esporte no país diz que, quanto menos recursos financeiros, maior a diferença da participação esportiva por gênero.

Ademais, quando se fala em salários, a desigualdade só aumenta. Segundo o livro Fábrica de Desilusões, da jornalista Camila Nichetti, os salários pagos às cem jogadoras que compõem os elencos dos quatro principais times do Campeonato Brasileiro de futebol feminino, custam 188 mil reais, resultando em uma média salarial em torno de 1.880,00 reais. Já o salário do jogador Neymar Jr é cerca de 75 vezes maior do que a soma do salário das 100 atletas juntas.

Torna-se evidente, portanto, que a valorização do esporte feminino apresenta entraves que necessitam ser revertidos. Dessa forma, o Ministério da Educação haja vista o seu dever em assegurar uma educação qualificada para todos, planeje e desenvolva projetos e políticas públicas para estimular crianças e jovens a realizarem esportes, além de encorajar, deve estimular a prática esportiva nas escolas a fim de acabar com idealização que desporte é apenas para homens. Além disso, cabe ao Ministério do Esporte aumentar os investimentos na área feminina e criar campanhas publicitárias com o fito de acabar com o tabu.