A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 24/07/2020
Segundo São Tomás de Aquino, todas as pessoas devem ser tratadas igualmente. Não obstante, a questão do esporte feminino brasileiro contrapõe esse pensamento, uma vez que essa cultura tem sido almejada por fortes preconceitos desde séculos passados. Com isso, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico do Brasil e da fragilidade legislativa. Desse modo, o Ministério da Educação deve ressignificar, urgentemente, esse quadro.
A priori, pode-se apontar como um empecilho a consolidação de uma solução a história brasileira. De acordo com Claude Lévi-Strauss, somente é possível compreender práticas sociais de uma civilização contemporânea, estudando o seu passado. Nesse sentido, observa-se que se há um comportamento preconceituoso imbuído na atualidade, esse tem suas raízes intrínseca no passado. Nessa perspectivava, na colonização brasileira, ensinamentos, práticas e cultura eram espelhadas de Portugal, e nisso se encontra o patriarcalismo, onde era baseado em mulheres com poucos direitos, incluindo esportes. Nesse pesaroso contexto, são constantes os exemplos de preconceitos no esporte feminino, como o caso de Marta, a qual teve maior número de gols que Pelé, e mesmo assim não é tão valorizada como o jogador do esporte masculino, assim erroneamente práticas discriminatórias florescem e tomam conta da atmosfera do esporte brasileiro.
A posteriori a fragilidade das leis ainda é um grave impasse para a resolução da questão. Na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, está descrito como direito a todas as mulheres a prática esportiva. Entretanto, no governo de Vargas foi adicionado uma lei que revigorava a participação das mulheres nos esportes, contudo a real aplicação dessa legislação foi justificada com falsos argumentos científicos, o que demonstra o tamanho desmerecimento da mulher na época. Sendo assim, de maneira errata, alastrou-se uma gama de desvalorização do esporte feminino até a contemporaneidade, e exemplo disso é a pouca audiência gerada para as olimpíadas feminina.
Portanto, indubitavelmente, para eliminar esse preconceito instalado na sociedade no que tange a prática esportiva feminina, medidas precisam ser tomadas. Faz-se, peremptório, pois que o Ministério da Educação, órgão que regula a educação em âmbito nacional, por meio do Programa Nacional do Livro Didático deve atualizar os livros de história, demonstrando uma das causas do preconceito no que concerne o esporte feminino, a fim de que mostrem as pessoas e que essas tomem consciência da importância em compreender a raiz do problema e deixar de lado questões do passado. Em suma, é preciso que haja logo, pois como dialogava Anne Frank, “Que maravilha é ninguem esperar um único momento para melhorar o mundo”.