A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/07/2020

A desigualdade de gênero é uma problemática que circula em vários âmbitos da esfera social, entre eles, do esporte. Durante o governo de Getúlio Vargas, declarou-se proibido a prática de mulheres no esporte, com a justificativa de que tais participações olímpicas prejudicariam a saúde e o padrão de beleza da mulher. Dessa maneira, os esteriótipos sobre o sexo feminino interferem na visão sobre as mulheres no esporte e na valorização delas, que mais uma vez se mantêm em uma hierarquia abaixo dos homens em uma país que prega a isonomia.

Nesse contexto, a imagem da mulher está em desconstrução, contudo, o esporte é uma das maiores barreiras para a quebra desses esteriótipos. Consoante a um pensamento herdado da Grécia Antiga, que as mulheres que praticam esportes são dotadas de características masculinas, hoje, essa ideia ainda persiste e oscila entre a masculinização e a erotização dessas mulheres, o que não colabora para as atletas serem levadas a sério. Desse modo, atletas como Rafaela Silva, primeira brasileira a ser campeã de judô, e Marta Silva, pentacampeã de futebol feminino, contribuíram para uma maior visibilidade das mulheres no esporte, entretanto, a valorização dessa visibilidade ainda é acarretada por preconceitos.

Por conseguinte, mesmo que Nietzsche tenha elaborado análises niilistas acerca da natureza humana, a “vontade de poder”- conceito edificado em suas obras- corresponde à capacidade dos indivíduos de transformar os pilares vigentes no tecido social. Dessa forma, em 1900, as mulheres podiam participar de esportes como tênis e golfe, os quais são modalidades individuais e praticados principalmente pela classe alta. Dessa maneira, a inclusão das mulheres no esporte restringe àquelas de melhores condições financeiras, as quais são uma pequena parcela do Brasil. Essa situação se dá pelo pouco patrocínio e investimento das mulheres no esporte, diferentemente dos homens, que são incentivados a praticar atividades físicas desde a base de formação, e pela maior atenção em volta da mídia, o que gera mais patrocínios e investimentos.

Assim, consoante ao pensamento niilista, para transformar os pilares no tecido social acerca da prática de esportes por mulheres no Brasil, urge que o Ministério do Esporte realize projetos para a formação de equipes femininas e dê apoio financeiro para as mulheres, como é feito em relação aos homens, através de maior visibilidade da mídia para se tornar uma prática popular. Ademais, as escolas devem organizar aulas de educação física obrigatória para ambos os sexos desde a base de formação, a fim de estimular a participação feminina e finalmente desvincular a ideia de que o esporte feminio não tem a mesma importância que o masculino, caminhando para a igualdade de gênero.