A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 22/07/2020

Nascer mulher, no contexto de alguns séculos atrás, traduzia-se em desvantagem em diversas vertentes, no Brasil, a luta feminina por direitos básicos consolidou várias conquistas nos últimos cem anos, como o direito de trabalhar fora de casa, o direito de votar e o direito de poder ser votada. Ainda assim, mulheres de todo mundo enfrentam grandes obstáculos pelo simples fato de serem mulheres, no esporte não é diferente e essa disparidade é agravada pela ausência de políticas públicas para inclusão e incentivo da prática esportiva feminina.

Na obra literária “Sapiens” o autor Noah Harari retrata que a realidade da nossa sociedade sempre foi moldada pelas crenças que a elite impôs: o romantismo, o capitalismo e o machismo, sendo esse último o maior agravante para a ausência e a desvalorização da mulher no esporte. Marta, a jogadora de futebol eleita seis vezes a melhor do mundo e a maior artilheira da história das copas do mundo chama atenção não só pelo talento que possui mas pela disparidade salarial existente entre ela e atletas homens praticantes do mesmo esporte, mesmo sendo a maior artilheira de um esporte considerado “masculino” tem um salário extremamente inferior quando comparado ao do jogador Neymar. Helena Altman, pesquisadora e professora da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) retrata a cicatriz histórica de exclusão feminina presente na legislação brasileira durante o período da ditadura militar, onde mulheres foram proibidas de praticar esportes incompatíveis com as “condições de sua natureza” e ainda atribui a ausência de mulheres nos esportes coletivos devido ao tempo gasto com tarefas domésticas. Nesse contexto desigual é possível constatar outros fatores presentes nessa problemática, como o preconceito (no lar e fora dele), a falta de incentivo nas escolas e a ausência de um programa nacional para inclusão de meninas e mulheres no esporte. Ter o apoio político para tornar o esporte mais igualitário é, indubitavelmente, ímpar. Estimular a prática esportiva serve como alicerce para discussão de grandes temas, como a igualdade de gênero, a liberdade feminina, o respeito entre mulheres, fortalecendo não só aquelas que praticam alguma modalidade, mas todas que nasceram mulher.

Levando-se em consideração esses aspectos, depreende-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de mitigar essa problemática, para tanto, é urgente que o Ministério da Educação invista na promoção do esporte feminino, abarcando desde o ensino infantil até o ensino superior, promovendo a criação de ligas femininas em todas as escolar públicas e privadas, além de fomentar campanhas para o debate e combate ao machismo, estratégias como essas podem ser ampliadas no âmbito do SUS por meio do Ministério da Saúde, buscando atingir o maior número de mulheres possível.