A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 25/07/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne à valorização do esporte feminino no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a lenta mudança na mentalidade social, bem como a falta de investimento.
Em primeiro plano, é preciso atentar para questões socioculturais que enfrentam demorada mudança na sociedade. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do esporte feminino no país é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e opressor, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa. Nesse âmbito, um exemplo de como a sociedade nacional ainda é terrivelmente machista é o fato de a jogadora de futebol Marta - que possui mais gols pela Seleção Brasileira do que o Pelé - lamentavelmente sofrer preconceito por praticar um esporte que tende a ser considerado “só para homens”. Isso reflete a injusta mentalide patriarcal do Brasil, apesar de avanços atingidos, como a participação das mulheres nos Jogos Olímpicos, que quadruplicou de 1960 até 2016, saltando de 11% para 45% sobre o total de atletas.
Além disso, a desvalorização do esporte feminino no país encontra terra fértil na falta de investimento. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam filósofos como Marx. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas dentro do contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. Todavia, há uma lacuna no investimento no que se refere ao esporte feminino brasileiro, que tem sido negligenciado, o que torna sua solução mais difícil de ser alcançada. Sob esse viés, nota-se uma boa iniciativa por parte da CBF (Confederação Brasileira de Futebol): desde 2019 os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro são obrigados a terem times femininos, sob pena de não participarem das competições masculinas se não os tiverem. Um passo inicial tímido, porém de extrema importância para a busca pela igualdade entre os gêneros no esporte nacional.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para isso, é necessário que o Governo, por meio do Ministério do Esporte, fiscalize o destino dos investimentos nos esportes femininos brasileiros, a fim de remanejá-los de modo mais igualitário possível entre os gêneros. Tais investimentos devem estar disponíveis em sites, para consulta pública, de modo que a população possa acompanhar de perto. Dessa forma, o caos entrópico contido na problemática poderá ser mitigado.