A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/07/2020
O filme norte-americano “Menina de Ouro", relata a história de uma garota que sonhava em ser campeã de box. Para tanto, enfrentou a cultura machista e preconceituosa do esporte, além de lutar pela desconstrução de um ideal de incapacidade de ascensão da mulher nessas atividades.Similarmente, a realidade da cultura brasileira é inserida em tal contexto, visto que diante da lucratividade e da estrutura de dominação preconceituosa, a mulher é inferiorizada no mundo dos esportes.
Em primeira análise, sob a ótica do filósofo alemão Theodor Adorno na obra “ Dialética do Esclarecimento”, afirma que a indústria cultural moderna tende a massificar ideias, costumes e atitudes na sociedade. Isso, sobre a produção de cultura, entretenimento e lazer, a fim de obter uma homogeneização dos gostos e costume, potencializa a lógica capitalista, ou seja maior obtenção de lucro. Nesse viés, ao se tratar do esporte feminino tal lógica é extremamente aplicada, uma vez que tanto a visibilidade, quanto ao patrocínio e prêmios são ainda distantes de uma realidade igualitária, se comparado ao masculino. Isto é, devido a dominação de gênero historicamente machista, a perpetuação do esporte masculino se tornou mais vendável e popular, sendo por isso massificada,como apresentado no filme. Portanto, tais fatores enraizados na sociedade, prejudica a ascensão da mulher no esporte.
Ademais, entre os prejuízos desse contexto, destaca-se a naturalização de uma estrutura de poder e preconceito do sexo masculino sobre as mulheres, afetando a popularidade do esporte feminino. Nesse panorama, cabe mencionar a teoria do sociólogo Pierre Bourdieu “Poder Simbólico”, o qual mediante uma estrutura dicotômica, fundamenta a dominação de gênero. Decerto, os ideais como sexo frágil, inferior emocionalmente versos ao sexo dominante e forte racionalmente, estabelecem-se como legitimação mental e social para um estilo de vida discriminatória, e como resultado a institucionalização do domínio simbólico. Assim, frente essas ideologias nocivas e internalizadas na população, subverte a posição da mulher na cultura dos esportes, o que significa o descrédito na capacidade feminina em exercer tais atividades.
Em suma, com intuito de otimizar a visibilidade da mulher no esporte e amenizar tal problemática da cultura preconceituosa, o Governo deve promover projetos socioeducativos por intermédio do Ministério da Educação, em associação com os meios midiáticos, com a finalidade de obter avanços nesse cenário. Para isso, os projetos precisam contemplar desde a formação educacional, com incentivos a atividades que integram ambos os sexos, e debates nas escolas, quanto valorizar a promoção das mulheres nos esportes, mostrando em propagandas as conquistas e as possibilidades de exercer essas atividades em sociedade. Logo, desconstruir a ideia de que esportes são somente para homens, ao combater a estruturação do poder simbólico como também aumentar as os incentivos à cultura do esporte feminino.