A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 24/07/2020

De acordo com o artigo quinto da Constituição Federal de 1998, todos são iguais perante a lei. Entretanto, a desvalorização da mulher no esporte evidência que o direito previsto no dispositivo legal não está sendo exercido. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se  relevante: a subvalorização da mídia, bem como, a diferença salarial entre atletas femininas e masculinos.

De início, é inegável que os entraves referentes a falta de atenção midiática é consequência de um país enraizado em um ideal patriarcal e machista. Nesse contexto, tais ideais podem ser explicados segundo a Teoria do Habitus, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que explicita que a sociedade incorpora padrões impostos à sua realidade e os reproduzem ao longo do tempo, por ser um padrão consolidado o corpo social o normaliza. Sob tal ótica, é evidente que a mídia tende a reproduzir esteriótipos, e por isso, a mulher é retratada de forma tradicional, como donas de casa. Dessa forma, competições muito valorizadas no Brasil como a copa do mundo ganham mais visibilidade no torneio masculino. Evidenciando assim uma necessidade de fortalecimento da notoriedade do esporte feminino.

Ademais, é indubitável que a desigualdade salarial entre homens e mulheres no esporte é outro entrave para a valorização do mesmo. Nessa perspectiva, é válido ressaltar que a jogadora de futebol Marta já conquistou o título de melhor futebolista do mundo seis vezes, batendo recorde entre mulheres e homens. Apesar disso, de acordo com a revista VEJA seu salário é 269 vezes menos que o do jogador Neymar Júnior. Embora, o próprio nunca tenha alcançado tal título.

Portanto, urge, que as grandes emissoras de televisão realizem merchandising social, tal como a inserção de temas referentes ao esporte feminino em telenovelas, a fim de aumentar a notabilidade dos problemas enfrentados por esse público no desporte. Além disso, cabe a CBF a criação de uma norma que torne o pagamentos dos jogadores mais igualitário. Somente assim, com medidas pontuais e gradativas a igualdade prevista na Carta Constitucional Cidadã será ampliada para toda população tupiniquim.