A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

Segundo a obra ‘‘Contrato Sexual’’ - da escritora Carole Pateman- a filosofia política clássica, embora não possua nomes femininos em papeis de protagonismo, só foi possível pela inserção da mulher no controle das relações domésticas, o que ,consequentemente, moldou o vigente contrato social. Nesse sentindo, ao realizar uma análise do cenário brasileiro, vê-se que , apesar da relevância da mulher em diversos ramos da sociedade,o vilipêndio ,provocado por estigmas sexistas, ainda aprisiona a modernidade no contexto da desigualdade de gênero. Dessa parte, é fulcral ressaltar que a valorização da mulher no esporte, espaço de predominância masculina, será de árdua importância para superação desses estigmas, seja pela desconstrução do mito da inferioridade feminina, seja pela superação da mentalidade machista brasileira.

A priori,é fulcral ressaltar que falsa ideia de inferioridade feminina endurece o distanciamento da mulher da ativa participação nos esportes.Analogamente, há o Darwinismo Social,justificativa eugênica de superioridade ariana, o qual se baseou na distorção de padrões biológicos para legitimar a segregação e hierarquias sociais.Assim, vê-se que essa mentalidade assemelha-se aos rótulos sexistas de ‘‘sexo frágil’’ ,presentes na modernidade brasileira, e ,por conseguinte, naturalizam a desvalorização da mulher diante das práticas esportivas, que refletem o abismo de remuneração e admiração entre o universo feminino e masculino do esporte.Logo, urge a superação dessa mentalidade

Outrossim, é mister salientar que a natureza patriarcal e machista do Brasil favorecem a persistência desse quadro. Nesse ínterim,evidenciando o supracitado, há filósofo francês Pierri Boudieu , o qual afirma que a dominação simbólica masculina exerce ação coercitiva sobre as escolhas femininas e , tendo como consequência, constroem espaços de hegemonia sociocultural.Diante disso, fica claro que as praticas analisadas no cotidiano são reflexos da mentalidade coletiva ,ou seja, é uma ideia utópica inserir a mulher em espaços de dominação masculina sem que exista a superação das construções sociais sexistas.Dessarte,para valorizar o esporte feminino no Brasil,é imprescindível superar estigmas.

Depreende-se,portanto,que , o mito da inferioridade feminina , bem como o machismo, são questões que dificultam a valorização do esporte feminino.Isto posto, compete ao Ministério da Educação criar políticas públicas educacionais , as quais desconstruam ,desde a infância, a ideia de ‘‘sexo frágil’’, por meio de palestras e cartilhas para a rede básica de ensino, com a finalidade de formar indivíduos sem as amarras dos rótulos de gênero. Além disso, compete às escolas criar atividades que suprimam o machismo da sociedade futura,por meio de debates construtivos,os quais desconstruam esteriótipos limitantes de sexo,a fim de superar o paternalismo.Feito isso, ver-se-á o esporte feminino valorizado.