A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 26/07/2020
Em Esparta, na Grécia antiga, o papel feminino se resumia a procriar, enquanto desde sua juventude o homem era inserido em um universo envolto em esportes e atividades que melhoravam seu físico para guerra. Embora os tempos sejam outros e a igualdade entre sexos seja garantida constitucionalmente, como na Constituição brasileira de 1988, a participação mulheril no universo esportivo ainda é pouco valorizada, tendo em vista o preconceito sofrido e os mínimos investimentos. Como dito, um dos fatores que evidenciam a pouca valorização da mulher no esporte é o preconceito vivido pelas mesmas, tendo em vista que, para muitos, atividades que exijam maior aptidão física são destinadas a seres do sexo masculino. Ideia essa que ganhou grande notoriedade na época do Regime Militar brasileiro, onde a legislação proibia a prática feminina em esportes como o jiu-jitsu, já que se entendia que tal atividade era incompatível com a condição natural feminil. Nesse sentido, o preconceito foi evidenciado e dados atuais revelam que a participação feminina ainda é pequena, como a pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que mostra que a prática de atividade física é menor em 40% para mulheres. Dessarte, fica evidente que para que o papel esportivo feminino tenha maior relevância é necessário que medidas sejam tomadas para redução da rejeição.
Ademais, é indubitável que o pouco investimento e incentivo no ramo atenua a desvalorização. Desta forma, é importante destacar a diferença salarial entre os sexos, tendo como exemplo o jogador de futebol Neymar, que sozinho, recebe 75 vezes mais do que o salário de 100 jogadoras dos melhores times brasileiros, segundo a jornalista Camila Nichetti, no livro “Fábrica de desilusões”. À vista disso, é notório que a ascensão da mulher no esporte é muito mais lenta do que a do homem, e situações como a da jogadora holandesa Ana Hegerberg, que renúnciou a seleção por não acreditar na igualdade do meio se tornam comuns, diminuindo a participação mulheril no desporte. Portanto, é necessária que a destinação de verba seja feita de forma equivalente, o mais rápido possível.
Diante do exposto, é necessário que o Estado junto do Ministério da Cultura, Esporte e Educação planeje e desenvolva projetos de política pública que vise conscientizar acerca da importância da mulher no esporte sem preconceito e com igual valorização. Logo, é necessária a organização de palestras em parceria com ONGs que já atuam incentivando tal participação, como a Empodera no Rio de Janeiro, além de destinar investimentos para causa, já que existe uma diferença na verba destinada para práticas esportivas quando há diferença de gênero.Só dessa maneira, a participação feminina brasileira no esporte será igualmente valorizada.