A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 24/07/2020

Na série da Netflix “Coisa mais linda”, é retratada a história de Lígia, uma jovem mulher que tem seus talentos desincentivados por um marido machista e conservador. Fora da ficção, observa-se,no Brasil, realidade análoga à abordada na série: as mulheres são constantemente reprimidas e desvalorizadas, sobre tudo em áreas como o esporte. Diante disso, deve-se analisar como o preconceito e a falta de investimentos financeiros contribuem para a problemática em questão e como resolvê-la.

Em primeiro lugar, cabe avaliar como estereótipos patriarcais influenciam na desvalorização do esporte feminino no Brasil.Segundo o escritor Machado de Assis, para desfazer um preconceito basta uma reflexão. Tal perspectiva no entanto não é considerada no país: Desde a colonização ideais preconceituosos e sem base científica são utilizados para discriminar as mulheres em áreas como o esporte. Assim, não observa-se no Brasil uma reflexão para a quebra de paradigmas machistas, como previsto por machado, mas ao contrário: o preconceito permeia gerações e contribui de forma marcante para a desvalorização de modalidades esportivas femininas no país.

Ademais, outro fator que desafia a valorização do esporte feminino no Brasil é a falta de investimento financeiro. Nesse sentido, o filme “Menina de ouro” aborda a história de Maggie, uma talentosa lutadora que pelo fato de ser mulher enfrenta dificuldades para encontrar um treinador disposto a ajudá-la. Tal como no filme, as esportistas brasileiras também enfrentam problemas: o pouco apoio financeiro por parte de instituições e patrocinadores impede que as mulheres tenham condições de dedicar-se integralmente ao esporte e disponham de lugares e treinadores que se adequem as suas necessidades. Consequência disso, as esportistas brasileiras são segregadas e acabam muitas vezes desistindo de suas carreiras, fato que dificulta ainda mais a valorização do esporte feminino no Brasil.

Fica claro, portanto, a necessidade de um debate a nível nacional sobre o tema. Cabe ao ministério da educação, em parceria com as escolas,treinar profissionais para ministrar palestras aos alunos e suas famílias, abordando a importância de romper com estereótipos machistas no esporte. Além disso, é dever do ministério do esporte, em parceria com o ministério da economia, incentivar, por meio da concessão de benefícios fiscais ás instituições e empresários que patrocinem as esportistas brasileiras, o investimento financeiro na valorização do esporte feminino no país. Somente dessa forma será possível promover as modalidades femininas de esporte no Brasil, criar reflexões para a quebra de preconceitos misóginos, como previsto por machado de Assis, e impedir que as mulheres brasileiras sejam expostas a situações como a vivenciada por Lígia em “Coisa mais Linda”