A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 25/07/2020

No ano de 2019, a Copa do Mundo de futebol feminino foi transmitida em rede nacional pela primeira vez na história do Brasil, evidenciando os avanços ocorridos na esfera representativa das modalidades esportivas praticadas por mulheres. Entretanto, protestos ocorridos durante os jogos, como o uso de uma chuteira sem patrocínio pela jogadora brasileira Marta, denunciam que, apesar das conquistas existentes, a falta de visibilidade e investimentos no esporte feminino ainda se faz presente no cotidiano das atletas. Nesse sentido, há de se analisar a herança patriarcal e a falta de infraestruturas a fim de promover a valorização do esporte feminino no Brasil.

Em primeiro plano, cabe pontuar que a socialização feminina, pautada nos princípios patriarcalistas, prejudica a prosperidade das mulheres nos esportes, tanto como atletas quanto desempenhando funções administrativas. A esse respeito, a filósofa Simone de Beauvoir afirma que, durante a infância, meninas são ensinadas a agir com o intuito de agradar os homens, performando atitudes delicadas e vivendo uma vida casta e regrada. Nessa perspectiva, a inserção de mulheres em modalidades que exigem esforço físico, como o futebol ou as artes marciais, não é respeitada por uma parcela significativa da população, a qual projeta estereótipos acerca de como indivíduos do sexo feminino deveriam se portar. Por conseguinte, ocorre a falta de interesse por parte do público majoritariamente masculino, o qual desqualifica as habilidades das atletas e objetifica seus corpos.

Em segundo plano, vale ressaltar a falta de investimentos como agravante dessa mazela, uma vez que as esportistas não dispõem dos recursos necessários para custear competições. Tal panorama desrespeita a Constituição Federal de 1988 - a qual atribui como dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais - uma vez que a carência de investimentos impede o mantimento do esporte feminino. Desse modo, a visibilidade dessas práticas também é prejudicada, o que é um impasse para a manutenção do papel socializador do esporte: jovens que almejam a vida esportiva são incapacitadas de alcançar tal objetivo diante da ausência de políticas públicas.

Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de promover a valorização do esporte feminino no Brasil, preservando seu papel social. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, Esporte e Cidadania (MEC) ensinar acerca das diferentes funções esportivas que podem ser desempenhadas por mulheres, a fim de desconstruir o panorama patriarcalista existente. Isso será feito por meio de palestras, ministradas por atletas locais, direcionadas a toda comunidade escolar. Além disso, cabe ao MEC desenvolver políticas públicas de treinamento esportivo, contando, para tal, com o uso de verbas governamentais. Com efeito, a sociedade se desenvolverá de forma igualitária e justa.