A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 25/07/2020
Como critica o filme Mulan, a sociedade atual tangencia uma incredibilidade inerente ao gênero feminino e uma segregação de papeis de acordo o sexo. Essa desvalorização, preconceito e limitação imposta a mulher é claramente evidenciada no mundo dos esportes no Brasil, problemática que resulta não só de um longo período de proibição da inserção da mulher nos esportes mas também devido a estrutura histórica patriarcal presente em nossa sociedade.
Destaca-se que no Estado Novo de G. Vargas, as modalidades femininas esportivas eram proibidas por lei pelo artigo 54 do Decreto-lei 3199, o qual apenas foi abolido em 1979, e foi ainda somente em 2019 que CBF tornou obrigatório à clubes da serie A possuírem uma equipe feminina. Isso evidencia que por muito tempo os esportes eram permitidos somente a homens, o que contraria o direito de igualdade universal e mostra como as mulheres foram negligenciadas e assim, prejudicadas, por muito tempo nessa esfera.
Entretanto, apesar dessas conquistas, a igualdade ainda permanece apenas no âmbito teórico, pois mesmo com o aumento significativo de mulheres em todas as modalidades de esporte, o preconceito continua e elas são vistas como atletas inferiores. Pois desde a sociedade grega, atividades corporais eram direitos apenas de homens e às mulheres restavam as funções de reprodução e cuidado familiar, caracterizando-as como sexo frágil e constituindo uma sociedade patriarcal, onde visa o homem como superior a mulher. Porém, essa é uma visão social equivocada, de acordo com os estudos antropológicos de Margareth Mead, o gênero biológico em nada determina a sexualidade, essa é construida socialmente, sendo assim, ambos os sexos possuem potencial biótico de realizar as mesmas ações.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que mudem esse contexto atual. Considerando que o problema está enraizado na sociedade, deve-se buscar mudanças em suas estruturas, que só são possíveis através da educação, sendo assim, o Ministério da Educação deve implementar nos ensinos de Educação Física, nos anos iniciais da educação básica, a valorização da igualdade de gênero, dando oportunidade igual e incentivo de participar dos variados esportes, sem nenhuma limitação, como por exemplo permitindo meninas jogarem futebol e meninos jogarem amarelinha, erradicando o preconceito sexual. Em conjunto, as Mídias Sociais devem valorizar, transmitir e fornecer mais acesso ao jogos de equipes femininas para difundir a presença e capacidade das mulheres em todos os esportes, para mudar o pensamento antiquado daqueles que julgam que esporte é uma pratica masculina. Somente assim o esporte feminino será valorizado e o Brasil será uma sociedade igualitária.