A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 25/07/2020

No livro “Rainha de Katwe”, do escritor estadunidense Tim Crother, conta-se a estória de uma garota prodígio na prática do xadrez, apresentando resultados impressionantes para uma pessoa de catorze anos. Todavia, a menina enfrenta inúmeras dificuldades para ascender no esporte, principalmente por ser uma mulher. Sob esse mesmo prisma, observa-se, fora da ficção, a subvalorização do esporte feminino no Brasil, fato que prejudica milhões de brasileiras que desejam crescer nessa área. Por conta disso, deve-se analisar algumas das problemáticas que envolvem essa subversão, como o preconceito histórico no país e a falta de apoio às praticantes.

Mormente, necessita-se considerar que as mulheres eram proibidas de praticarem esportes até o ano de 1979, ano que a Lei 3199 foi revogada. Por conta disso, a participação de mulheres no esporte é relativamente nova, e considerando que o Brasil é regido por um sistema patriarcalista - como frisado na obra " Casa Grande e Senzala", do historiador Gilberto Freyre, em que ilustra-se como os homens mantêm uma relação de superioridade frente às mulheres - encontra grandes desafios para consolidar-se. Além disso, o preconceito por parte da sociedade é vigente para com os esportes femíneos, o que, de acordo com a frase célebre do filósofo Voltaire, “O preconceito é uma ideia que ainda não passou pelo tribunal da razão.”, é um julgamento deveras equivocado.

Ademais, a falta de apoio e patrocínio assolam muitas esportistas nacionais. Sob essa perspectiva, verifica-se a discrepância salarial entre os gêneros no clube de futebol Internacional, um dos mais prestigiados do país: apenas 1,78% da renda mensal é destinada para o setor feminino, consoante o jornal Correio do Povo. Esse fator pela falta de incentivo e ciência, por grande parte da população brasileira, dos patamares que as mulheres podem alcançar com as práticas desportivas, como a carioca Rafaela Silva, primeira judoca brasileira campeã olímpica , que conseguiu sair das favelas cariocas  para o  estrelato global, panorama que precisa ser minimizado.

Portanto, é indubitável que o esporte feminino passa por uma desvalorização no Brasil, condição que precisa ser revertida. Dessarte, urge que o Ministério da Educação decrete que dois dias do ano letivo sejam destinados às práticas esportivas, sendo obrigatória a participação todos os estudantes. Nesses dias a escola deverá promover atividades desportivas que integrem alunos de ambos os sexos, com o intuito de apaziguar o preconceito atual, mostrando como a colaboração de todas as pessoas, independentemente do gênero, leva a vitória geral. Similarmente, o Estado deve agir com as entidades que patrocinam os esportes femininos, garantindo vantagens fiscais, como a supressão de impostos, àqueles que contribuírem significativamente com o esporte feminino no país.