A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 29/07/2020
Em 2019, Megan Rapinoe, capitã do time vencedor da Copa Mundial de Futebol feminino, aproveitou o seu discurso de vitória para expôr a desigualdade salarial entre homens e mulheres no mundo esporte. Análogo a isso, nesse mesmo ano, a CBF obrigou os times da série A a terem equipes femininas para a disputa de campeonatos, o que sugere um avanço na integração das mulheres ao esporte brasileiro, diante de um cenário histórico de desvalorização. Por isso, cabe analisar qual é o contexto histórico e social do esporte feminino no Brasil e quais são as consequências da não valorização desse setor.
A princípio, é necessário entender que por conta do patriarcalismo o esporte feminino foi proibido e marginalizado na história brasileira. Isso se dá pois dentro da ideologia patriarcal há papéis pré estabelecidos para homens e mulheres, o que a filosofa Judith Butler intitulou de “performances de gênero”. E dentro dessa lógica, à mulher coube a maternidade e a vida doméstica, o que fez com o esporte passasse a ser um perigo para a representação feminina. Por causa disso, em 1941 é assinado, no Brasil, um decreto que proíbe as mulheres de praticar esportes, uma vez que eles são incompatíveis com as “condições naturais femininas”. Assim, ao revogar somente em 1979 esse decreto, o governo permitiu que fosse normalizado a ideia de que o esporte não é para mulheres, o que é refletido hoje na baixa audiência que competições femininas.
Ademais, esse comportamento social de não valorização das mulheres no esporte promove um ciclo de depreciação que torna difícil a manutenção do esporte feminino no Brasil. Isso porque a baixa audiência induz a redução dos investimentos, essa por sua vez, reduz ou extingue o salário das atletas e a participação em competições,exemplo disso, é que em 2015 a seleção feminina de futsal, que é pentacampeã mundial, não tinha patrocínio para participar do campeonato mundial. Portanto, é evidente que medidas de valorização do esporte feminino, como a tomada pela CBF em 2019, devem ser adotadas por esse setor para reverter o estigma social criado pela cultura patriarcalista.
Diante disso, para que haja uma valorização das mulheres que fazem esporte no Brasil é preciso que o Governo através de ações que influenciam a sociedade quebre o paradigma de que “esporte não é coisa de mulher”. Por isso, cabe ao Legislativo a regulamentação de uma lei que obrigue todas as confederações esportivas a criarem ligas femininas e estimularem o seu desenvolvimento, por meio do repasse de metade do investimento estatal e pelo incentivo para que novos colaboradores injetem dinheiro na área, favorecendo assim, a participação em competições, o acesso à mídia e o combate das desigualdades de gênero no esporte.
o que gerou um quadro atual de baixa visibilidade, ausência de patrocínio, preconceito e sexualização da mulher.