A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 26/07/2020
Até o século passado, culturalmente, a mulher era vista como um ser naturalmente frágil, com papel social restrito ao âmbito privado, e designada à maternidade, juízos que chegaram a serem corroborados por estudos científicos que davam-lhes anuência. Infelizmente esse conceito se estabelece como um obstáculo ao presente esporte feminino no Brasil, podendo ser constatado no âmbito financeiro e na configuração do ideário de imagem da mulher.
Assim, mulheres atletas têm dificuldade em se manter no esporte devido aos baixos salários comparado aos dos homens, à ausência de contratos de trabalho com carteira assinada, substituídos por acordos temporários, além do que, os poucos campeonatos esportivos femininos não são transmitidos pelas emissoras de televisão. A evidência disso está em uma pesquisa feita em 2018 pela empresa de tecnologia Visua apontando que o esporte feminino atrai apenas 1% do mercado de patrocínios, somado a isso, é frequentemente disseminado propagandas publicitárias vinculadas à jogadores de futebol, mas o mesmo quase não é visto com mulheres do mesmo esporte. Dessa forma, fica impraticável que uma mulher se estabeleça profissionalmente como atleta se elas simplesmente não aparecem e são desvalorizadas independente do desemprenho.
Outro ponto à ser destacado é o fato de que, quando uma mulher tem uma performance acima do esperado, elas são imediatamente suspeitas, taxadas como masculinizadas, distantes do padrão ideado de feminilidade, e impugnadas quanto ao seu sexo biológico. De acordo com um artigo veiculado pelo portal UOL, entre as décadas de 1960 e 1990, as atletas que almejavam competir nas olimpíadas eram obrigadas a passar pelo “teste de feminilidade”, que consistia em, entre outras formas, passarem nuas em frente a um comitê formado por médicos, isso porque, de acordo com a entidade esportiva, elas não correspondiam às expectativas de esteriótipo e desemprenho para uma mulher. É inadmissível que essa abordagem cruel e sexista esteja presente, mesmo que atualmente de forma amenizada e velada, no esporte.
Portanto, fica claro que o entrave para valorização do esporte feminino no Brasil parte da esfera social e não da competência individual. Nesse sentido, para amortizar esse preconceito e desprestígio, cabe ao Ministério do Esporte conceber politicas públicas que conduzam a inserção das meninas em práticas esportivas, financiando projetos escolares com um viés educacional do esporte para promover o empoderamento de meninas e jovens mulheres, a redução dos estereótipos nocivos e da violência baseados no gênero em prol de uma sociedade mais justa.