A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

No filme “Ela é o cara”, o fato da protagonista fingir ser homem para poder jogar futebol evidencia o preconceito no esporte. Apesar de ficcional, tal contexto assemelha-se ao atual na medida em que as mulheres têm pouca visibilidade nas modalidades esportivas, resultando em falta de patrocínio, ausência de calendário competitivo e poucas com carteira assinada. Diante disso, é imprescindível investir em uma equidade esportiva.

Antes de tudo, deve-se considerar que a pouca valorização é resultado de um machismo estrutural. Como exemplo, a jogadora Marta, recordista de gols em Copas, tem menos patrocínios e relevância midiática, do que jogadores homens com um histórico de gols inferior. A esse respeito, nota-se um tratamento desigual pautado no gênero, suscitando a categoria feminina ínfimos investimentos. Com isso perde-se grandes inspirações e na falta dessas representações, perde-se futuras atletas.

Ademais, essa privação de potencial suprime uma possível rentabilidade e visão positiva internacionalmente ao país. Sabe-se que em 2014 o futsal feminino não tinha dinheiro para participar do Mundial, o qual venceu, graças a verba eventual do Ministério dos Esportes e uma mobilização na internet; por conseguinte trouxe um retorno financeiro ao país e uma exposição positiva no exterior. Portanto, o esporte feminino é muito rentável, cabendo ao Estado o devido investimento nessa área, a fim de que se alcance uma igualdade de oportunidades.

Diante do exposto, percebe-se a necessidade de esforços do Estado para reverter essa desvalorização e romper esse preconceito. Assim, a fim de combater no esporte o ideal de inferioridade feminina, cabe ao Ministério dos Esportes investir uma verba equivalente a da categoria masculina, estabelecer por lei uma equiparação de salários e instituir um calendário esportivo com incentivos fiscais às televisões para que a divulgação seja em rede aberta. Com tais medidas, espera-se que o esporte feminino, com sua devida importância, seja valorizado no Brasil, evitando-se que assim como no filme “Ela é o cara” times femininos sejam fechados.