A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/07/2020
Eleita embaixadora da ONU Mulheres em 2014, Emma Watson, em seu discurso, prega que o feminismo é acreditar no direito e oportunidades iguais para homens e mulheres, sendo teoria política, econômica e social. Entretanto, nota-se que a sociedade contemporânea vai contra a declaração da ativista, contribuindo para a desvalorização do esporte feminino brasileiro, onde exalta a presença masculina e coloca a feminina de escanteio. Nesse viés, a problemática reflete um cenário desafiador, tendo como causas o preconceito feminil, bem como a escassa visibilidade dada pela mídia.
Convém ressaltar, a princípio, que a antipatia da sociedade pela inclusão das mulheres no meio esportivo é um fator determinante para a existência do problema. Segundo o relatório “Movimento é Vida”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a prática de exercícios físicos por mulheres no país é 40% inferior aos homens. Tais dados expõe a cultura do não incentivo as mulheres ao esporte, por muitas vezes considerarem que elas não possuem condições físicas ou que perdem sua feminilidade, indicando assim, que o cenário esportivo ainda envolve muito preconceito de gênero.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da pouca visibilidade dada aos jogos e campeonatos femininos, uma vez que a mídia não divulgam esses eventos, exemplo disso é a Copa do Mundo Feminina, que só foi transmitida na TV aberta pela primeira vez, em 2019, onde teve poucas divulgações, o que revela um acompanhamento tardio dos meios de comunicação. Conforme o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser instrumento de opressão. Nessa perspectiva, observa-se que a imprensa, em vez de promover divulgações das competições femininas — instruindo para suas maiores participações nesse setor — influência na consolidação da problemática.
Portanto, a valorização do esporte feminino no Brasil ainda possui gargalos, seja pelo intenso preconceito de gênero ou pela má influência midiática, fazendo necessário uma intervenção pontual no problema. Assim, é essencial que a Secretaria de Educação municipais, em parceria com o Ministério da Cidadania e o governo estadual, criem projetos esportivos nas cidades e escolas, que assim como os campeonatos femininos, devem ser acompanhados e divulgados pela mídia para toda população, convidando mulheres profissionais do ramo a orientar e participar, com o intuito de normalizar e representar a figura feminina no no meio esportivo, além de incentivar as meninas para uma maior participação, realizando treinos, eventos e campeonatos, como o Empodera, Transformação Social pelo Esporte, do Rio de Janeiro, onde estimulam o esporte como uma ferramenta para discussões de gênero, fortalecendo meninas e mulheres. Destarte, talvez, a igualdade pregada por Emma Watson seja estabelecida em toda sociedade brasileira.