A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/07/2020
No início do século passado, a brasileira Maria Lenk foi a primeira mulher a participar das olímpiadas, porém, apenas cerca de cinquenta anos depois, as mulheres enfim passaram a ganhar espaço no meio esportivo. Embora esse fato esteja relacionado ao contexto da época, ainda hoje, em concordância com o atual contexto brasileiro, se prevalece a exclusão do gênero feminino em atividades esportivas, pois, desde que o ser humano criou a civilização, existe uma percepção de fragilidade do corpo feminino, que se mantém enraizada na sociedade.
Em princípio, cabe analisar as legislações estabelecidas em âmbito nacional. Na década de 40, haviam leis que proibiam a execução de alguns esportes por parte das mulheres, entre os quais se destacavam futebol, polo-aquático e baseball. De acordo com tais leis, a mulher seria impedida de praticar as atividades em virtude de sua incompatibilidade relacionada às condições de sua natureza. Nesse contexto, possibilita-se perceber que, devido ao fato de o esporte ter sido pensado para os homens, se tornando uma prática natural aos mesmos, a participação feminina sempre foi taxada como incomum e de penosa visibilidade. Verifica-se, portanto, que as concepções advindas de tempos passados, dificultam a representatividade feminina no esporte, e todavia, precisam ser banidas do meio moral em que a humanidade se encontra.
Ademais, estima-se que a frequência da participação feminina em atividades esportivas se mostra 40% inferior à dos homens. Isso ocorre na medida em que, devido aos afazeres do dia a dia, não haja tempo para a execução de tais atividades. Dessa maneira, à pratica de realizar algum esporte acaba se tornando um simples lazer, quando, por entrementes, poderia ser um elemento de transformação da realidade. Não obstante, se for analisado o papel das mídias esportivas, fica nítido a falta de interesse com o público feminino, e a grande valorização que há com o esporte masculino, o que contribui assim, para um propício desinteresse do público em não almejar enaltecer a imagem da mulher no esporte.
Assim, faz-se necessária a atuação de entidades governamentais, em parceria com ONGs - voltadas à área esportiva - acerca da necessidade de posicionamento crítico quanto a desvalorização do esporte feminino. Isso deve ocorrer por meio da promoção de palestras, que aclarem as pessoas à cerca do fato de as mulheres terem a mesma capacidade física e mental de um homem para a realização de diversos esportes, não as julgando mais como frágeis. Além disso, cabe ao poder legislativo a elaboração de leis que incrementem cada vez mais a participação feminina em eventos esportivos, cabendo também às mídias o papel de darem perceptibilidade ao desempenho feminino. Dessa forma, será possível tornar natural a valorização do esporte feminino no Brasil.