A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 27/07/2020

A Constituição Brasileira de 1988 – documento que está situado no topo do ordenamento jurídico - garante a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social, como também reforça, em seu artigo 3ª, a obrigação do Estado em assegurar o desenvolvimento nacional. Fora dos papéis, percebe-se que substancial parte populacional não está sendo incluída nessas determinações, uma vez que as mulheres ainda enfrentem certa exclusão e não desfrutem desse direito constitucional, o que figura um obstáculo de grandes proporções. Nesse sentido, é valido apontar o legado histórico e o individualismo como elementos propulsores da problemática.

Nessa perspectiva, há a questão do contexto histórico, que influi decisivamente na consolidação do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a desigualdade de gênero, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira/ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da falta de empatia.  Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange a disparidade no esporte referente ao tratamento dos homens em relaçao as mulheres. . Essa liquidez que influi sobre a questão do universo esportivo ser dominado pelos homens funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Faz-se necessário, pois, que o MEC em parceria com o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) desenvolvam uma atualização nos livros didáticos de História, por meio da sugestão de projetos que discutam o legado histórico brasileiro relacionando-o a problemas atuais. Ademais, tais projetos poderiam fomentar, até mesmo, a criação de uma Olimpíada de História para o século XXI, para que a questão da desigualdade seja compreendida em sua totalidade e possa proporcionar avanços que o desamarrem de seu passado excludente. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.