A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

No filme “Mulan” produzido pela Disney, a protagonista com o intuito de impedir que seu pai doente vá para a guerra, se disfarça de homem para que assim possa ingressar no exército, tendo ao longo do filme um papel importante para a vitória de seu povo. Semelhante a trama do longa-metragem, as mulheres brasileiras tem que enfrentar a baixa valorização do esporte feminino no país, que é causada pela herança social e cultural do patriarcado, sendo ainda agravada pela pouca visibilidade dada pela mídia ao assunto.

A priori, vale destacar o artigo 54 do Decreto-Lei número 3199 de 1941, aprovado pelo governo Getúlio Vargas, que proibia mulheres de praticar o futebol. Assim, reforçando a ideia patriarcal de que o feminino é por natureza frágil, refletindo nos dias atuais na forma dos “testes de feminilidade” que tem o intuito de comprovar que as atletas são verdadeiramente mulheres. Porém, segundo a pesquisadora e doutora da USP Katia Rubio, os testes de feminilidade são baseados em uma ideia ultrapassada de inferioridade feminina. Cabendo assim as autoridades quebrar tal concepção.

Além disso, o esporte feminino brasileiro tem que lidar com a pouca visibilidade na mídia. Apenas em 2019 a Globo, maior emissora de televisão brasileira, transmitiu por completo a Copa Mundial Feminina de Futebol. Essa baixa transmissão dos eventos esportivos femininos acaba tornando as atletas “invisíveis” no mundo do esporte, acarretando pouca oferta de patrocínio, o que dificulta a permanência no meio do desporto, e o ingresso de outras mulheres no meio.

Entende-se, portanto, que para o esporte feminino no Brasil ser valorizado, é necessário superar alguns impasses, principalmente ideologias patriarcais e a pouca visibilidade midiática. Desse modo, faz-se pertinente a criação de um projeto, pelo Ministério do Esporte em união com a Secretária Especial de Cultura e o Ministério da Educação, que vise a criação e manutenção de equipes esportivas femininas nas escolas, e a promoção de campeonatos interescolares, na tentativa de promover a inserção das mulheres no esporte, juntamente com a obrigatoriedade de transmissão pela rede de televisão aberta todos os eventos esportivos, dando a devida visibilidade aos mesmos. Para que assim a trama de Mulan se restrinja a ficção.