A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 28/07/2020

Empoderar mulheres e meninas é um dos dezessete objetivos do desenvolvimento sustentável conforme preconizado pela cúpula das Nações Unidas. Dessa maneira, ampliar e financiar sua inserção em diferentes áreas profissionais é uma estratégia necessária a ser adotada. Entretanto, para que tais ações possam ser possibilitadas é preciso que a visão patriarcal predominante na sociedade seja desconstruída e que mais oportunidades profissionais sejam ofertadas aumentando a participação e a representação positiva desse grupo.

Em primeiro lugar, durante o Estado Novo o decreto-lei 3199 de 1941 proibia mulheres de praticar esportes como lutas - de todos os tipos - halterofilismo e futebol, com a justificativa de que estes eram contrários à natureza feminina e poderiam “deformar os corpos do belo sexo”. As consequências dessa proibição se refletem não apenas na manutenção da estrutura patriarcal da sociedade brasileira, mas também na criação de mais obstáculos para inserção feminina em outros postos de trabalho. Além disso, tal proibição ainda afeta a sociedade porque, por exemplo, com a revogação da proibição entre as décadas de 80 e 90, na tentativa midiática de desmitificar a figura do esportista como masculina a beleza passou a ser explorada, então mulheres passam a ser vistas principalmente pela sua estética, fato que muitas vezes coloca em segundo plano as habilidades das atletas.

Em segundo lugar, é evidente a falta de patrocinadores para o desporto feminino e o pouco incentivo à prática de esportes como o futebol por mulheres e meninas. Somente em 2019, a copa do mundo feminina foi televisionada integralmente por grandes emissoras, soma-se a isso os menores investimentos no futebol feminino nacional, pois enquanto a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) pagou 30 milhões ao campeão masculino de 2018 do Brasileirão, o campeão feminino ganhou apenas 120 mil reais. Essa discrepância de valores evidencia a necessidade de investimentos mais efetivos nas modalidades femininas de esporte para estimular o desenvolvimento de mais atletas. Visto que, por meio do esporte grandes mudanças sociais podem ser construídas.

Logo, a integração entre esporte e educação é uma ferramenta essencial para atender ao objetivo proposto pela cúpula das Nações Unidas. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério da Cidadania - que incorporou o Ministério do Esporte - fomentar a formação de parcerias entre patrocinadores, em busca de novos talentos, e as escolas, que passariam a oportunizar a inserção de seus alunos em diversas modalidades esportivas a partir de aulas práticas. Além disso, as aulas teóricas de educação física seriam reformuladas para desconstruir os estereótipos criados a cerca da prática de modalidades esportivas tidas como masculinas garantindo uma geração mais consciente.