A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 01/08/2020

Em Abril de 1941, durante a presidência de Getúlio Vargas, foi-se criado o Decreto-Lei 3199, proibindo a “prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina”. Este decreto-lei só foi revogado em 1979, todavia, não levou consigo os preconceitos persistentes a respeito da prática de determinados esportes pela parcela feminina da população brasileira, o que prossegue desviando as atenções da necessidade de valorização do esporte feminino no Brasil. Dessa forma, é necessário analisar causa e consequências da problemática, bem como, devida proposta de intervenção.

Inquestionavelmente, o machismo ainda encontra-se enraizado na sociedade, por meio dele que diversos tipos de discriminações, como a justificativa de que o “sexo frágil” não tem plena capacidade para a prática de determinados esportes, permanecem vigentes. O futebol desde sua origem se caracteriza como um esporte atrelado ao sexo masculino, a agressividade do jogo, por sua vez,  é vista como algo pouco adequada à natureza sutil da mulher, a questão é tão profunda que antigamente tentavam afastar as mulheres do futebol utilizando argumentos biológicos. Desse modo, quando mulheres optam pela prática de atividades historicamente atreladas ao sexo oposto, são repreendidas e têm seus caminhos dificultados.

Por conseguinte, é criado um ciclo vicioso a respeito dos investimentos no esporte feminino, exemplificando, os dirigentes esportivos não investem no futebol feminino; as empresas não apoiam as jogadoras; a mídia não faz coberturas dos eventos; os eventos rendem menos e, em algum ponto, essa falta de apoio se transforma em um empecilho à prática do esporte para as mulheres. Analogamente, segundo matéria jornalística da “UN Woman”, a brasileira Marta, seis vezes melhor do mundo, obteve 267 vezes menos rendimentos que o Neymar. Logo, é evidente que a desvalorização salarial no meio esportivo também pende para o gênero feminino, consequentemente crescendo a desmotivação em ingressar e alavancar o esporte feminino no Brasil.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar a problemática. O Ministério da Cidadania deve promover um acordo com a mídia brasileira, sobretudo a televisão aberta e plataformas na internet, no qual seja previsto a divulgação e propagação dos esportes femininos, por meio da transmissão de partidas, como as do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, com a finalidade de oferecer maior visibilidade e interesse no investimento do esporte, feito pelas propagandas publicitárias. Ademais, o Ministério do Trabalho deve instituir um valor a ser seguido para o salário das mulheres no esporte, tomando como base o valor que os homens ganham, o que visa diminuir, dessa forma, a disparidade salarial de jogadoras como Marta, por exemplo.