A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 30/07/2020

O documentário “Ladies First” conta a história de uma jovem indiana que sofreu grande preconceito de sua comunidade por querer se tornar uma atleta do tiro ao arco. No Brasil, entretanto, esse cenário não está tão distante da realidade, uma vez que o esporte feminino não é devidamente valorizado. Isso se deve não apenas ao modelo patriarcal de sociedade vigente no país, como também à negligência do Governo, que não investe de maneira apropriada nas esportistas brasileiras.

Em primeiro prisma, deve-se ponderar a influência do machismo na problemática abordada. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, todo microcosmo social reflete as estruturas vigentes em seu respectivo macrocosmo. Nesse sentido, analisando os esportes como microcosmos, percebe-se que quanto mais próximos de uma realidade patriarcal eles estiverem, mais valorizados eles serão. Prova disso é que, no Brasil do século XX, as mulheres foram, por cerca de 40 anos, proibidas por lei de disputarem competições de esportes. Assim sendo, é inadmissível que, mesmo que de forma mais velada, ainda existam tais estruturas.

Paralelamente, o Governo não cumpre com o artigo 217 da Constituição Federal, que explicita que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais. Assim sendo, é essencial que tal artigo seja cumprido, já que a prática do esporte feminino nacional vive um ciclo: como não é valorizado pela sociedade, não atrai tanto público, não recebendo tantos investimentos, e, portanto, não consegue se desenvolver adequadamente, o que gera suas baixas visibilidade e valorização. É essencial, então, que o Estado atue de forma a quebrar esse ciclo.

Fica evidente, desse modo, que a falta de valorização do esporte feminino no Brasil é um entrave que precisa ser solucionado. Para tanto, urge que o Ministério dos Esportes não apenas articule investimentos governamentais diretos no esporte feminino, como também promova a angariação de recursos privados nesse, através da concessão de benefícios fiscais aos investidores. Urge também que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos divulgue propagandas, em mídias de grande circulação, estimulando a prática desportiva por parte das mulheres. Espera-se, com essas medidas, fornecer melhores condições para a prática feminina de esportes no Brasil e uma diminuição do preconceito sofrido por nossas atletas.