A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 29/07/2020
Na Grécia Antiga, ainda que o território fosse fragmentado em cidades-estados com administração e economia próprias, essas se integravam periodicamente diante de um hábito cultural único: os jogos olímpicos. Essa abordagem histórica, apesar de aludir a um contexto temporal distinto, converge com o momento atual diante do privilégio masculino na esfera esportiva, haja vista que nas olimpíadas helenas apenas homens podiam participar. Nesse sentido, discute-se a valorização do esporte feminino no Brasil, de modo a ressaltar a raiz misógina como causa da insuficiência representativa.
Em primeiro plano, evoca-se a discriminação de gênero no plano esportivo. À luz dessa ótica, expõe-se o pensamento da socióloga Simone de Beauvoir de que ninguém nasce mulher, torna-se mulher, haja vista a determinação dos papéis sociais voltados para o âmbito doméstico e materno, submissos ao da figura masculina. Isso posto, quando há o distanciamento dessas funções socialmente difundidas, tal como ocorre com as mulheres que dedicam seu cotidiano a esportes, principalmente de forma profissional, há a aversão coletiva diante da situação. Logo, mediante à invisibilidade feminina nos esportes que implica no distanciamento do princípio de equidade constitucional, urge a mudança de tal realidade.
Outrossim, como efeito do espectro discutido, tem-se a negligência social das práticas esportivas femininas. Essa desvalorização ocorre no plano prático por meio da escassez de financiamentos e patrocínios de times e atletas por empresas privadas, do desapoio midiático com a insuficiência do televisionamento aberto de jogos femininos, além dos casos de assédio por treinadores, educadores e até outros atletas homens. Dessa forma, exemplifica-se o descaso do esporte feminino como uma forma de sanção espontânea, conceito de Émile Durkheim que se consiste em penalidades sociais diante de hábitos que fogem do padrão aceito. Desse modo, cabe desconstruir tal ideologia equivocada que menospreza a postura feminina e supervaloriza a masculina.
Portanto, cabe a atenuação da problemática citada a partir da criação de um Programa de Valorização do Esporte Feminino. Esse será elaborado pelo Ministério da Cidadania em parceria com as agências televisivas e contará com o desenvolvimento de um programa de transmissão semanal e diversificado de jogos femininos em um canal específico e com sinal aberto. Tal projeto será incentivado a partir do oferecimento de benefícios cedidos pelo Governo, como a redução de impostos da empresa contratada e das contas de energia e água. Com a efetivação dessa iniciativa será possível intensificar as atitudes de apoio ao esporte feminino, seja pelo público, seja pelas empresas financiadoras, por meio da inserção desse atrativo em um dos principais meios de comunicação.