A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 29/07/2020
No mundo de princesas da Disney o filme “Mulan” apresenta uma nova narrativa. A protagonista se torna guerreira ao se voluntariar no lugar de seu pai, se passando por um homem em um ambiente que não permite mulheres na guerra. Durante o longa, Mulan prova sua força e determinação, mesmo com os estigmas de fragilidade feminina. Análogo ao filme, a ocupação de espaços majoritariamente masculinos no Brasil, como o meio do esporte, se construiram em torno de barreiras, como por exemplo: a desigualdade de gênero e o descaso da mídia com atletas mulheres. Diante disso, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
É indubitável que uma sociedade patriarcal mantem a desigualdade entre os gêneros. Pesquisa recente do Ministério do Esporte mostrou que 67% dos homens praticam futebol contra 19% das mulheres. Isto posto, o escasso engajamento de novas mulheres no meio esportivo leva em conta o conceito histórico da mulher em ambientes naturalizados para homens, em que ideias como a mulher ser distanciada do esporte por fragilidade reforçam uma cultura machista e enraizada no país. À vista disso, ideais do patriarcado precisam ser superados, uma vez que o desempenho no meio esportivo não está relacionado, necessariamente, ao gênero de quem o pratica.
Faz-se mister, ainda, salientar que o insuficiente apoio midiático ao esporte feminino impulsiona o problema. De acordo com os dados levantados pela Unisinos, apenas 2,7% da cobertura midiática no país é voltada ao esporte feminino, 37 vezes menos que o esporte masculino. Dessa maneira, o desinteresse por parte da mídia em visibilizar o esporte feminino resulta na falta de interesse dos telespectadores e, consequentemente, na falta de investimentos neste segmento. Destarte, urge medidas que possam aumentar a visibilidade e tornar parte do cotidiano a representação e valorização feminina em jogos esportivos.
Desse modo, são necessárias políticas para a mitigação da problemática. Portanto, cabe ao Ministério do Esporte em conjunto com o Ministério da Educação criação de aulas com atividades esportivas obrigatórias, além da representação de diferentes modalidades olímpicas, por meio de debates e rodas de conversa acerca da participação esportiva, tanto masculina quanto feminina, a fim de incentivar e possibilitar o aumento de jovens - em especial mulheres - no meio esportivo. Com essas ações se espera que muitas meninas possam não apenas se ver como princesas, mas também capazes de seguir qualquer caminho, até no esporte.