A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 30/07/2020

Durkheim, sociólogo do século XIX, discorreu sobre “Generalidade” que diz respeito aos fatores gerais que ocorrem na sociedade, como, por exemplo, a associação, por vezes inconsciente, que fazem entre o sexo feminino e o conceito de fragilidade. Nesse sentido, nota-se no Brasil, em seu âmbito patriarcal, a escassa valorização esportiva feminina, já que a correlação com conceitos frágeis impedem mulheres de ascenderem em suas carreiras no esporte. Sendo assim, é necessário que se rompa com o patriarcalismo, de demasiado retrocesso, e, além disso, é  preciso que se dissocie a mulher do símbolo de vulnerabilidade imposto sobre elas.

Em primeiro plano, é nítido que vivemos em uma sociedade machista e patriarcalista na qual o sexo masculino é colocado em destaque, esse fator advém de fatores culturais retrógrados e precisam ser superados. Sob esse viés, verifica-se que no esporte essa premissa é ainda mais difundida e esse princípio ocorre desde sua gênese na Grécia Antiga, através das Olimpíadas, a qual era de caráter masculino e perpetuar tal premissa hodiernamente é consagrar ideais retrocedidos, ademais impede que ocorra a valorização do gênero feminino nos esportes. Portanto, fica clara a necessidade de enaltecer as mulheres nos mais diversos esportes, sem que ocorra a generificação de sexagem esportiva, pois, dessa maneira, ocorrerá o progresso cultural e humanitário.

Em segundo lugar, é indubitável que a imagem feminina foi por décadas vinculada a excessiva fragilidade e vulnerabilidade, fator que contribuiu para que houvesse diferenciação entre atividades que cada sexo poderia executar e, desse modo, a mulher que praticava esportes era considerada fora dos padrões que deveriam ser seguidos. Nessa perspectiva, destaca-se a corrente literária romântica, do século XIX, a qual foi a principal responsável pela idealização e criação de uma forma utópica de visualizar a mulher no âmbito social, o que afastava a mesma das atividades que eram consideradas másculas, como exemplo as práticas esportivas. Então, fica evidente que tais premissas se perpetuaram até a atualidade e necessitam ser transpostas de forma geral.

Em suma, é imprescindível que ocorra a valorização do esporte feminino no Brasil em conjunto com a superação do patriarcalismo e da ressignificação da imagem de vulnerabilidade imposta sobre a mulher. Para isso, o Ministério da Educação deve garantir que ocorra o ensino sobre: “a história da mulher no esporte e na sociedade”, por meio da inclusão de uma ala específica na matéria de sociologia-já que essa estuda as relações sociais e suas implicações- com a finalidade de transformar o hodierno valor ofertado perante a mulher, sobretudo no esporte, na retrocedida sociedade patriarcalista e, dessa forma, o corpo social estará progredindo de forma generalista.