A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/07/2020

Durante o desenrolar da Revolução Francesa, Olympe de Gouges publicou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Infelizmente, foi violentamente reprimida e guilhotinada devido ao machismo presente na sociedade francesa. Entretanto, tal documento foi um marco na história da conquista de direitos das mulheres, fato que culminou na maior participação feminina em diversos setores da sociedade. Dentre eles, destaca-se o esporte feminino no Brasil, assunto que vem ganhando cada vez mais relevância nos telejornais e opinião pública. Todavia, ainda há diversos entraves que dificultam sua valorização, seja pelo preconceito enraizado na sociedade ou pela falta de investimentos que impede a divulgação das competições.

Em primeiro lugar, é fundamental pontuar o machismo preconceituoso como um fator impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, percebe-se que, na sociedade brasileira, existe uma opinião do senso comum de que “o futebol é um esporte de homens, não mulheres”. Tal argumento baseia-se em uma suposta limitação fisiológica do corpo feminino. Porém, não há nada que impeça que mulheres tenham desempenhos comparáveis aos homens; um claro exemplo disso é a jogadora Marta, que recentemente ultrapassou o recorde de Pelé em gols pela Seleção Brasileira. Portanto, deve-se combater o preconceito de forma imediata.

Outro ponto fundamental a ser destacado é que, apesar da existência de grandes competições femininas nacionais, a baixa visibilidade e a ineficaz divulgação tornam o espote desvantajoso em termos financeiros. Um belo exemplo disto e o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino que, apesar de contar com a participação dos maiores clubes do país, apresenta sérias defasagens na divulgação. Dessa forma, os telespectadores não são instigados a acompanhar os jogos, fazendo com que o esporte feminino seja visto apenas como uma obrigação burocrática que traz mais prejuízos do que ganhos, quadro que deve ser revertido urgentemente.

Torna-se evidente, portanto, que ainda há entraves na valorização do esporte feminino. Destarte, o Ministério da Educação deve incluir, na disciplina de Educação Física, a história do espote feminino, acompanhada com aulas práticas onde as crianças deverão praticar diversos esportes, a fim de reduzir os preconceitos machistas desde a mais tenra idade. Ademais, cabe à Confederação Brasileira de Futebol aumentar os investimentos na divulgação do futebol feminino, tanto na grande mídia como nas regiões onde ocorrem os jogos, a fim de consolidar o esporte feminino na cultura nacional.