A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 29/07/2020

O filme brasileiro “Minas do Futebol” trata sobre a história de garotas em um time de futebol amador. Na obra, as meninas enfrentam uma série de dificuldades para a realização da prática esportiva, as quais vão desde o fato de a cidade não possuir um campeonato feminino, o que as obrigava a jogar no masculino, até o preconceito que elas sofriam por serem atletas mulheres. Não distante da ficção, as profissionais do esporte, no Brasil, passam por situação semelhante à apresentada no filme, já na categoria masculina, essas dificuldades não ocorrem. Sendo assim, a desvalorização do esporte feminino no Brasil deve-se a uma sociedade machista e, como consequência, o esporte masculino tornou-se muito mais valorizado em relação ao feminino.

A princípio, a situação de descaso com o esporte praticado por mulheres é reflexo da sociedade brasileira. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Émilie Durkheim, os brasileiros foram moldados por ideias como o machismo e o patriarcado, por elas serem concepções que nortearam a construção da sociedade no Brasil. Sob tal perspectiva, já que, na forma de esteriótipo, foi imposto que a prática esportiva era avessa às mulheres, as pessoas passaram a depreciar o esporte feminino, como pode-se observar tanto no filme quanto na proibição legal do futebol feminino até a década de 80. Logo, o esporte feminino brasileiro tornou-se sucateado, o que é, no mínimo, revoltante, pois revela que a realidade das atletas brasileiras é muito pior do que aquela apresentada em “Minas do Futebol”.

Consequentemente, somando-se o preconceito à falta de investimentos, o resultado é uma extrema desigualdade de gênero no esporte. Isso porque, enquanto a eleita por cinco vezes como melhor jogadora do mundo de futebol, Marta, teve de jogar a Copa do Mundo de Futebol Feminino sem um  único patrocinador sequer, o jogador equivalente em habilidade e importância no masculino, Neymar, ganhou milhões de reais com patrocínio durante os jogos que participou no evento de atletas homens. Dessa forma, se essa discrepância persistir, o Brasil estará fadado a perder suas esportistas para países que realmente valorizem o esporte feminino.

Portanto, tendo em vista que a prática esportiva feminina, no Brasil, é desvalorizada por conta do preconceito e da falta de recursos investidos, é vital que o Governo Federal destine mais verbas para o esporte feminino. Esses investimentos podem ocorrer por meio da parceria com grande clubes, como São Paulo e Palmeiras, para que eles criem modalidades femininas nos mais diversos esportes. Além disso, parte dessas verbas deve ser destinada à promoção de palestras que desconstruam o preconceito contra as atletas. Desse modo, o esporte feminino será efetivamente valorizado e, em pouco tempo, as dificuldades enfrentadas por elas só restarão no filme “Minas no Futebol”.