A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A Constituição Federal de 1988 destaca que todos devem ter o direito ao lazer e à cultura, sendo dever do Estado propiciar à prática de esportes. No entanto, tais direitos e deveres não são efetivamente assegurados, principalmente quando se refere ao incentivo de práticas esportivas para as mulheres. Logo, o histórico patriarcal e a estrutura educacional são fatores responsáveis pela desvalorização do esporte feminino no Brasil.

Em primeira análise, a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, preconiza a igualdade de gênero. No entanto, a sociedade patriarcal brasileira engrandeceu a figura do homem como o detentor da força e a mulher como o sexo frágil, destinada a ficar em casa exercendo atividades domésticas. Assim, as mulheres foram excluídas do ambiente social e esportivo e a segregação entre os sexos ainda persiste na sociedade contemporânea. Nesse contexto, de acordo com dados de 2017, do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento do Brasil, a prática de atividades físicas é 40% inferior no grupo feminino em relação ao público masculino. Logo, medidas de incentivo às atividades esportivas para mulheres precisam ser implementadas.

Ademais,  desde a educação escolar tem-se a desvalorização da mulher nos jogos esportivos. Desse modo, a segregação nas atividades é observada nas práticas de atividade física, com a determinação cultural de esportes que são exclusivamente masculinos, como o futebol. Portanto, uma menina que deseja jogar futebol, por exemplo, tende a ser discriminada e ter sua sexualidade questionada. Tal situação, faz com que essas jovens não tenham estímulo para desempenhar a atividade esportiva desejada, impactando na saúde, trabalho e lazer.

Sob esse prisma, é imprescindível a implementação de ações que visem à redução das desigualdades e a valorização do esporte para as mulheres. Para isso, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com as escolas, deve promover cursos semestrais para capacitação de professores de educação física, com temas voltados para a promoção da igualdade de gêneros no meio esportivo. Ainda, o MEC, em conjunto com o Ministério da Cultura,  deve promover eventos esportivos anuais nas comunidades,  incluindo modalidades para o público feminino e masculino. Nessa lógica, será possível minimizar a desvalorização das mulheres e acreditar em uma sociedade mais igualitária.