A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 30/07/2020
Segundo Émile Durkheim, a sociedade é um organismo vivo que depende da interação de mecanismos para estabelecer uma harmonia. Entretanto, a ausência de valorização do esporte feminino no Brasil corrobora ainda mais para a perpetuação da desigualdade de gênero no país, desestruturando todo o equilíbrio da população. Desse modo, é importante analisar que a negligência governamental e a omissão social são as causas deste problema e para que haja, realmente, uma prosperidade como idealiza Durkheim, é preciso resolver tais infortúnios.
A princípio, é válido destacar que o incentivo ao esporte feminino é um fator que poderá mitigar a desigualdade de gênero no país, no entanto, a ineficiência do Governo impede que isso ocorra de fato. Neste sentido, Jean-Jacques Rousseau argumenta que é dever do Estado conceder, ao coletivo, igualdade de oportunidades, na tentativa de cessar as disparidades existentes. Porém, ao discutir sobre a equidade de valorização esportiva entre homens e mulheres, percebe-se que há uma discrepância com o pensamento deste filósofo. Por esse motivo, torna-se inviável a solução da desconformidade de gênero do Brasil, uma vez que, para haver um desfecho neste imbróglio são necessárias políticas democráticas em todas as questões e diante à problemática isso não é observado.
Ademais, é imprescindível ressaltar a omissão da sociedade como elemento contribuinte para a ausência de um engajamento no esporte feminino. Levando isso em conta, Hannah Arendt em “A banalidade do mal”, reflete sobre o resultado do processo de massificação social, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, fazendo com que aceitem quaisquer situações sem questionar. Dessa maneira, quando se trata de assuntos esportivos vinculados às mulheres, a população ancorada em discursos machistas, mostra-se alienada aos problemas que envolvem esta temática. Nesta perspectiva, nota-se que esse imbróglio está enraizado na coletividade e por isso devem ser criadas medidas para resolvê-lo o quanto antes.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de solucionar as problemáticas supracitadas. Logo, o Ministério da Cidadania deve criar, por meio das prefeituras municipais, departamentos de auxílio ao esporte feminino, o qual será responsável por planejar competições esportivas entre as mulheres e, além disso, terá a função de criar campanhas para articular com a sociedade a importância da presença delas nos campos e quadras, com a finalidade de minimizar o infortúnio da desigualdade de gênero no país, integrando toda a população nas discussões, e aumentar a participação dessas cidadãs no âmbito esportivo. Sendo assim, o corpo social tornar-se-á saudável, tal qual um corpo humano em perfeito funcionamento.