A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 01/08/2020
A valorização do esporte feminino tem crescido com o passar do tempo, entretanto, para quem acompanha os Jogos Olímpicos e, especialmente, a Copa do Mundo, a presença feminina sempre é minoritária e acompanhada de desinteresse da mídia e da sociedade. A falta de interesse disfarçada de preconceito suprime o esporte feminino através da objetificação do corpo da mulher, da falta de visibilidade e de financiamento.
A prática de esportes por mulheres sofre culturalmente, com o preconceito enraizado. Por um longo período as mulheres foram proibidas por lei de realizar esportes, sendo recente a aquisição do direito de praticá-los. Embora a lei tenha sido abolida, ela revela o pensamento de uma sociedade que objetifica o corpo da mulher, que seleciona os ambientes que ela pode ocupar, nega a sua capacidade e duvida da sua feminilidade quando não condiz com o padrão desejado.
Esse pensamento construído na sociedade reverbera no desinteresse pelo esporte feminino, mesmo que a atleta possua mais títulos e habilidades técnicas, como por exemplo, a jogadora de futebol Marta que marcou mais gols que Pelé e foi considerada a melhor jogadora do mundo mais vezes que Neymar, porém não possui a mesma visibilidade que esses jogadores. Observa-se muito na mídia, entretanto, a objetificação do corpo feminino de atletas, quando há comentários acerca da feminilidade de mulheres que fogem do padrão, como atletas de esportes de contato, como futebol, corrida e luta, evidenciado pela criação de comitês que verificam a feminilidade da atleta, ao passo que não há precedentes de verificação de masculinidade para atletas homens. Observa-se também registros fotográficos estáticos do corpo feminino durante o esporte, deixando claro que o foco do registro está em mostrar o corpo da atleta e não a ação ou habilidade técnica praticada, enquanto o masculino é registrado em ação.
Assim, para completar, a falta de financiamento demonstra a diferença abismal na valorização do esporte feminino e masculino no Brasil. Em 2015, a equipe brasileira de futsal feminino, cinco vezes campeã do mundo não teve patrocínio para participar do campeonato Mundial, evidenciando que apesar do esporte feminino possuir competência técnica, não tem patrocínio suficiente.
Portanto, para combater a falta de visibilidade, financiamento e o preconceito ao esporte feminino é importante que haja, por parte do Ministério do Esporte (ME), benefícios fiscais para clubes e times que possuem equipes femininas, como forma de aumentar a busca e o patrocínio das atletas, além de elevar a quantidade de “Bolsa-Atleta” disponível para as mulheres, cujo programa do ME já existe,porém,com um número ínfimo de bolsas.