A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 30/07/2020
O futebol chegou ao Brasil com a vinda do filho de ingleses, porém brasileiro, Charles Miller, em 1984. Todavia, o esporte naquela época era um privilégio para alguns grupos dominantes. O patriarcado sempre dominou o espaço dos desportos, tendo presença apenas os pertencentes à elite branca. Em 1941, no Brasil, houve um decreto de lei que proibia a participação feminina em várias modalidades esportivas. Hoje em dia, muitos avanços foram obtidos através de lutas de classes femininas e representações dessa minoria, porém, questões como o baixo investimento, a minguada visibilidade, o preconceito e estereótipos ainda dificultam o processo de democratização do esporte no Brasil.
É de conhecimento geral que o Estado possui o dever de fomentar o esporte, encontra-se explicitamente tal dever no art. 127 da Constituição Federal. À medida que o tempo foi passando, após entraves relacionados à participação regulamentada das mulheres nas modalidades esportivas, é possível perceber avanços tangenciais. Em 2019, no Brasil, a FIFA (Federação Internacional de Futebol) e a Conmebol (Confederação Sul-americana de Futebol) tornou obrigação dos times que disputam a Série A do campeonato brasileiro, a formação de um time feminino. Isso confirma os avanços e a valorização do esporte feminino no Brasil.
Outro fator existente é a visibilidade irrisória das modalidades femininas quando comparado com as masculinas. Segundo o Estadão, mais da metade da população mundial acompanhou a Copa do Mundo de 2018, sediada na Rússia. A transmissão da Copa do Mundo feminina de 2019 por si só já é um avanço, pois uma das maiores emissoras do Brasil, a Rede Globo, transmitiria pela primeira vez esse evento em rede nacional. É de grande importância ressaltar também a sexualização da mulher no espaço esportivo, ocorrendo diversas vezes a objetificação do seu corpo como o foco principal através das mídias televisivas, revistas e jornais esportivos.
Tendo em vista os aspectos levantados e sendo dever do Estado o estímulo às práticas esportivas em geral, torna-se inquestionável o envio de verbas ao esporte feminino através do Ministério do Esporte, para que diminua disparidade socioeconômica com a categoria masculina. Isso deve ser feito a partir da ampliação dos ambientes de treinos profissionais, projetos de competições com notabilidade no âmbito esportivo e acréscimos nas recompensas dessas competições. Vale também o incentivo às mídias, tanto televisivas quanto digitais, nas transmissões do esporte feminino no Brasil, promovendo a visibilidade, o incentivo à participação e a diminuição do preconceito quando se debate a efetivação das mulheres no esporte brasileiro.