A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 30/07/2020
No livro ‘‘Mayombe’’ o autor Pepetela narra, em 6 capítulos, o cotidiano dos guerrilheiro do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) e dentre eles a história de Ondina, personagem feminina descrita sem voz, representando o machismo estrutural da época.Fora da ficção,as mulheres continuam sem voz diante dos homens, sendo inferiorizadas em diversos aspectos, com ênfase na desvalorização do esporte feminino. É notório que no Brasil a desconsideração com a prática esportiva feminina é uma realidade devido a dois fatores : o machismo e a falta de divulgação midiática sobre o tema.
Em primeira análise, é evidente que o machismo é, o que Carlos Drummond de Andrade definiria como uma pedra no meio do caminho da valorização do esporte feminino no Brasil. De acordo com a filósofa existencialista Simone Beauvoir, o machismo e o patriarcalismo educam a mulher para se tornar uma figura tipicamente caseira e inferior. Em concordância com a teórica social francesa, pode-se afirmar que a sociedade machista e patriarcal dificulta a entrada das mulheres no esportes -visto que, na visão patriarcal, elas têm que cuidar da casa- e impede a repercussão delas -porque, pelo ponto de vista preconceituoso, tudo o que os homens fazem, sempre será melhor do que algo feito por uma mulher-.
Ademais o menosprezo dos meios de comunicação para a divulgação de esportes sendo praticados por mulheres contribui para que o esporte feminino no Brasil não só não seja valorizado como também, muitas das vezes impossibilitado de ser realizado em larga escala. Em primeiro plano, embora recentemente a mídia vem lentamente se posicionando contra o machismo em sua programação, como por exemplo a criação de filmes igual ‘Mullan’ -guerreira mulher que tem que se vestir de homem para poder ir para a guerra-, a transmissão de jogos femininos pelas televisões ainda é carente. Além disso, é fato que a falta de divulgação midiática de esportes femininos impossibilita que eles sejam realizados em grandes quantidades por falta de recurso pois, com a baixa visibilidade que recebem a oferta de patrocinadores é bastante reduzida, diminuindo assim a renda de equipes esportivas femininas.
Faz-se premente portanto diligências para que os esportes femininos sejam valorizados no Brasil. Primeiramente para resolver o revés do machismo estrutural o MEC (Ministério da Educação) deve conscientizar os alunos, desdo ensino fundamental, a igualdade de gênero, por meio de campanhas educativas intituladas ‘‘Um Brasil para todos e todas’’ para que a sociedade cresça livre do machismo. Outrossim para solucionar a questão da falta de divulgação midiática, o Ministério da Comunicação deve obrigar, por meio de um decreto de lei, os meios de comunicação a transmitir igualmente os esportes praticados por homens e por mulheres, diminuindo a desigualdade entre os gêneros. Assim, após tomadas as medidas o esporte feminino será finalmente valorizado no Brasil.