A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A Constituição Federal de 1988 proporcionou a conquista de diversos direitos cidadãos no Brasil, como os da igualdade jurídica e da prática esportiva universal. Entretanto, apesar de tais avanços, ainda atualmente, na prática, ocorre a desvalorização do esporte feminino. Dessa forma, as principais causas desse cenário são a cultura patriarcal brasileira e o preconceito contra a mulher instaurado na sociedade.

No tocante ao desporto das brasileiras, é perceptível que falsas crenças machistas excludentes foram historicamente perpetuadas, o que afetou diretamente na acessibilidade da mulher às práticas de atividade física. Posto isso, Marx explana que o homem é um ser histórico fruto do seu tempo, ou seja, moldado pela cultura que o rodeia. Desse modo, se culturalmente o homem é visto como superior à mulher, tal visão se manifesta em todos os sentidos comunitários de maneira poderosa, tanto que, muitas vezes, contrariando até mesmo fatos científicos que comprovam a inveracidade do senso comum. Visto isso, um caso dessa situação é quando se diz que mulheres não sabem dirigir e, estatisticamente, na verdade, os homens que são os que mais se envolvem em mais acidentes de trânsito. Ademais, outro exemplo é que, nos últimos anos, as mulheres tem tido cada vez mais conquistas nos esportes, mas, mesmo assim, são vistas como incapazes e inaptas a praticá-los.

Com isso, o preconceito se mostra como fator preponderante para a falta de inclusão efetiva da mulher nos diversos espectros sociais, inclusive no esporte. Dessa maneira, se por um lado a Medicina afirma que o exercício físico é essencial para uma boa qualidade de vida, por outro, no âmbito esportivo, muitas vezes, somente pelo fato de serem mulheres, as garotas são desencorajadas e não recebem o devido apoio para seguirem praticando atividades físicas. Destarte, vários direitos sofrem violação e, por isso, prejuízos são acarretados, tanto socialmente, com a não democratização do desporte, quanto individualmente, afetando a saúde e o bem-estar das moças.

Portanto, a não valorização do esporte feminino é um problema recorrente que precisa ser mitigado. Para tanto, as Escolas devem, por meio da contratação de historiadores e sociólogos, promover palestras sobre a limitação das narrativas históricas oficiais à perspectiva masculina, a fim de desconstruir ideias machistas e ressaltar a importância da igualdade entre os gêneros na sociedade. Além disso, o Estado deve investir na criação de projetos de incentivo às atividades físicas femininas, como a criação de times locais de diversas modalidades, a fim de promover a inclusão efetiva das meninas e assegurar o exercício do direito ao esporte. Assim, aplicando tais medidas, as garantias constitucionais de esporte e de igualdade serão, finalmente, concretizadas de modo democrático.