A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 30/07/2020
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo, a falta de solidez nas relações políticas, sociais e econômicas é marco da “modernidade líquida” vivida a partir do século XX. Hodiernamente, esse panorama auxilia na análise da falta de valorização do esporte feminino no Brasil, já que mostra a quebra de paradigmas nas interações sociais que tornam-se mais fluidas e menos concreta. Destarte, é necessário analisar as razões que levaram essa problemática se tornar realidade no mundo contemporâneo.
Em primeiro plano, evidencia-se, a relação com uma cultura patriarcal que limita e priva mulheres na participação igualitária no universo dos esportes.Consoante a teoria do Habitus do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e reproduzidos pelos indivíduos.Nessa perspectiva, a masculinização imposta pela sociedade no espaço esportivo brasileiro dificulta a valorização da participação feminina no universo dos esportes, tal imposição foi naturalizada devido ao modelo patriarcal que desfavorece o gênero feminino, taxando o que se pode o não praticar pelo mesmo. Dessa forma a reprodução desse hábito social vem impossibilitando a projeção igualitária de mulheres no cenário esportivo, por conta de seu gênero.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de visibilidade e credibilidade do esporte feminino. De acordo com o Artigo 5° da constituição de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros direito à liberdade, à igualdade, à segurança entre outros . Desse modo, a falta de visibilidade e credibilidade do esporte feminino rompe com os direitos estipulados pela constituição, já que apresentam-se desiguais, distinguindo pela natureza do gênero os indivíduos brasileiros,com essa diferenciação a desvalorização do esporte feminino torna-se praticamente inevitável.
A luz do exposto, o combate a liquidez citado inicialmente com o proposito de aumentar a valorização do esporte feminino no Brasil, torna-se imprescindível e de caráter urgente.É imperioso que ONGS realizem palestras socioeducacionais em espaços comunitários, orientando sobre a importância e a necessidade da valorização do esporte feminino no Brasil, alertando sobre os malefícios que a falta do esporte feminino ocasiona para a sociedade, afim de conscientizar e diminuir os danos causados pela imposição patriarcal. Urge, também, que o Governo Federal, através do Ministério da Cidadania, elabore leis que igualem a quantidade de jogos femininos reproduzidos em canais midiáticos ao mesmo de jogos masculino, afim de aumentar a visibilidade e credibilidade do esporte feminino no Brasil, já que a população terá mais acesso ao mesmo. Sendo assim, a sociedade brasileira será mais justa e igualitária, respeitando os princípios da constituição brasileira