A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 30/07/2020
Joana D’Arc, jovem francesa do século XV, que mesmo enfrentando grandes preconceitos por parte da sociedade machista da época, permitiu-se aventurar pelo mundo da guerra, o qual era considerado somente pertencente aos homens. Assim como ela, pode-se verificar a existência de milhares de outras mulheres, as quais buscam, no Brasil contemporâneo, ingressar no mundo esportivo que ainda é visto por muitos como assunto essencialmente masculino. O aumento da participação delas nas competições desportivas tem, inegavelmente crescido, contudo a falta de incentivo para que meninas ingressem nos esportes, e o preconceito que aquelas que participam sofrem também é inegável.
Sendo assim, o fato de as mulheres não estarem presentes no mundo esportivo tem raízes na história dos país. A sociedade brasileira foi construída sobre princípios católicos patriarcais que desde sempre colocavam as mulheres excluídas dos assuntos públicos, como voto, a política e nesse caso, em especial, o esporte. O fato de as tarefas domésticas, as quais tomam um grande parcela do tempo, terem sido atreladas às mulheres, a doutrinação que elas sofriam de que isso não poderia ser praticado pelo gênero feminino, fez com que a entrada de atletas do gênero feminino fosse tardia e vista com maus olhares pela sociedade. Essa situação era presente até nas leis, pois o artigo 54 da constituição brasileira, feito durante a Era Vargas proibia a prática de determinados esportes pelas mulheres.
Paralela a essa situação, ainda pode-se destacar o preconceito que muitas atletas sofrem por serem mulheres e a falta de incentivo para as meninas em fase de crescimento. A falta de incentivos por parte das escolas para os esportes femininos e o futuro incerto como atleta nos país fazem muitas meninas desistirem de seus sonhos. Além de terem de lidar no seu cotidiano com insultos, possíveis assédios e serem consideradas não habilidosas somente pelo fato de serem mulheres, as esportistas sofrem com falta de reconhecimento e salários baixíssimos se comparados com os salários masculinos. Uma pesquisa realizada pelo jornal brasileiro Correio Braziliense, ao comparar os salários mais altos do esporte brasileiro, concluiu que um atleta chega a receber 234 vezes mais que uma competidora na mesma posição.
Diante dos fatos apresentados, fica evidente que as desigualdades de gênero continuam a prejudicar as atletas brasileiras e suas carreiras. Cabe ao Estado promover nas escolas programas que incentivem as meninas desde cedo a praticarem esportes, além de promover debates entre as crianças e atletas profissionais que conseguiram vencer todos os preconceitos, mostrando às crianças que a igualdade de gênero deve tornar-se uma realidade em todos os aspectos sociais. Dessa forma, a presença das mulheres expandiria-se no mundo desportivo, contando com pleno respeito de todos.