A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 30/07/2020

Diferente do que se acredita atualmente, o futebol não foi inventado por homens ingleses, mas sim por mulheres chinesas - e há mais de 1000 anos. Porém, ao analisar a composição social machista predominante nas relações humanas, não é um choque o fato dessa descoberta não ter sido reconhecida na antiguidade como feminina, mas sim o de ainda hoje se ter a mesma ocorrência. A falta de aceitação e credibilidade na capacidade das moças de participar do mundo esportivo tão bem quanto os homens desencadeia diversos problemas, como a carência de estrutura oferecida às atletas e a baixa visibilidade para as mulheres desse campo.

Num primeiro momento, é interessante relembrar esse desequilíbrio como um problema enraizado em todos os âmbitos do mundo esportivo, assim como a falha estrutural citada. O meio cinematográfico exemplifica uma dessas situações com o filme ‘Menina de Ouro’, longa-metragem que conta as dificuldades enfrentadas por uma jovem boxeadora buscando atingir um bom nível profissional sem nenhuma credibilidade e oferecimento de apoio estrutural, principalmente por ser mulher - ainda que talentosa. Sob esse viés, é notória a desigualdade de gênero intricada no pensamento social como sendo um imenso obstáculo no desenvolvimento esportivo de diversas mulheres, essencialmente no que diz respeito às oportunidades recebidas em ambientes de treino quando comparadas aos homens.

Num segundo momento, deve-se ressaltar a diferença entre o reconhecimento dado aos homens ligados ao mundo desportivo e o dado às mulheres. O site ‘Rede Brasil Atual’ mostra um relato de Ana Moser, ex-jogadora de vôlei, no qual ela diz que “as atletas multicampeãs ainda vêem suas conquistas menos valorizadas e lutam contra o machismo da mídia esportiva na busca por seu espaço”. Nesse âmbito, ao lembrar dessas mídias como um reflexo do pensamento comum no Brasil, torna-se evidente que a maneira como a população encara as mulheres no esporte incentiva o desenvolvimento da desigualdade e consequente baixa visibilidade entre mulheres e homens de mesma profissionalização.

Diante do exposto, é cristalina a necessidade em mudar tal quadro. Primeiramente, o Conselho Nacional do Esporte - CNE - deveria, utilizando-se do departamento voltado para o meio público, tornar obrigatório que cada estado tenha um centro voltado para o desenvolvimento esportivo profissionalizante que permita o alcance igualitário entre ambos os gêneros. Segundo, as grandes emissoras televisivas deveriam equilibrar a abordagem dos esportes masculinos e femininos, de modo a facilitar o reconhecimento do atletismo feminino na nação, colocando as visibilidades em um só patamar.