A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

A construção social contemporânea ainda demonstra características do período Neolítico como observado nas preconcepções da figura masculina realizando trabalhos braçais, enquanto seu oposto, a feminina, é responsável pela manutenção do ambiente residencial. O reflexo dessa sociedade patriarcal é percebido atualmente em mulheres ainda rebaixadas e excluídas de atividades físicas e esportivas. Contudo, é essencial enfatizar a inserção da mulher no meio esportivo afim de reverter raízes sociais machistas e retrógradas.

Em primeiro plano, é fundamental analisar a injusta diferença da abordagem de ambos os sexos quanto ao cenário desportivo. Dados divulgados pela Folha de São Paulo em 2017 revelam a discrepância salarial do futebolista masculino e feminino, sendo este primeiro duas vezes mais bem remunerado que o segundo. Portanto, percebe-se a subvalorização da esportista em relação ao esportista intimamente conectado a preconceitos às capacidades físicas da mulher e seu papel na sociedade sendo conflitados pelos ideais sexistas propagados até a atualidade, fazendo-se importante a reinvenção da imagem da figura da mulher mediante essa visão social.

Em segundo plano, necessita-se discutir a problemática pela ótica de direitos de cidadania. A Constituição Federal consta o direito ao esporte a ser exercido por todos os cidadãos brasileiros, independente de sexo, raça, ou classe social. Em contraste, é perceptível uma contradição na prática do que deveria ser estabelecido, tendo em vista que, segundo a ONG Women in Sport, 40% das mulheres já sofreram discriminação no ambiente esportivo, dessa maneira, desrespeitando direitos de cidadania básica e salientando a negligência estatal na solução do problema.

Outrossim, é indispensável a aplicação de medidas afim de amenizar a problemática discutida. Confederações desportivas como a CBF urgem em investir e promover as modalidades esportivas femininas, realizando e divulgando campeonatos afim de atingir um maior público e romper preconceitos enraizados socialmente. Ademais, o governo, em parceria com o Ministério da Cidadania demandam o desenvolvimento de um aplicativo no qual incentive a prática de exercícios físicos e esportes, com opções e cronogramas diferentes, para assim garantir uma inclusão equivalente de ambos os gêneros no cenário esportivo do país.