A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 31/07/2020

Os jogos olímpicos surgiram na Grécia Antiga como forma de homenagear Zeus, o deus soberano da mitologia grega. Essa prática esportiva tinha uma grande importância religiosa e também social.Os vencedores eram recebidos com enorme entusiasmo e erguiam-se estátuas em homenagem a eles. Entretanto, esses eventos eram proibidos às mulheres, que não podiam participar nem como atletas nem na plateia. Apesar de decorridos mais de dois mil anos desde o primeiro campeonato, as semelhanças ainda são muitas, e a ausência da valorização e representatividade feminina no esporte ainda se faz presente. São muitos os fatores que colaboram com isso, como a falta de incentivo econômico-social, mas também o preconceito com a presença feminina nos campos esportivos.

Primeiramente, é inegável a escassez e o desinteresse por parte dos patrocinadores em investir financeiramente em equipes femininas no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pela Brand Finance, empresa independente de avaliação e consultoria de marcas, o futebol feminino perde 4,8 bilhões de reais por ano em patrocínio. Esses dados evidenciam uma realidade preocupante na luta por busca de uma maior representatividade feminina nos campos, visto que a deficiência de apoio financeiro acarreta em problemas como falta de estrutura, baixos salários e déficit na divulgação dos campeonatos. Entretanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vem tentando mudar esse cenário por meio de ações que obriguam os clubes da séria A  a investirem em times femininos.        Entretanto, apesar dessa grande conquista, outro fator que, lamentavelmente, dificulta a conquista por uma maior visibilidade e valorização do esporte feminino no Brasil é o preconceito existente diante da presença da mulher nos campos esportivos. Esse fato está diretamente relacionado com o contexto histórico e cultural do Brasil, o qual chegou a proibir, em 1941, que mulheres praticassem esportes. Apesar de abolido em 1979, esse fato intensificou o preconceito que gera a falta de reconhecimento de atletas femininas, tendo como exemplo a jogadora Marta que, apesar de ter ultrapassado o Pelé e se tornar a maior artilheira da Seleção Brasileira, não possui tamanha visibilidade.

Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar a falta de valorização do esporte feminino no Brasil. Dessa forma, é necessário que a Secretaria Especial do Esporte direcione verbas a clubes esportivos que invistam em times compostos por mulheres. Isso tornará possível a reestruturação desses ambientes, melhorando a qualidade dos treinos e fornecendo um maior apoio às atletas, como também permitirá uma maior divulgação dos campeonatos. Assim será possível uma maior conquista do espaço esportivo e do reconhecimento que times femininos merecem, acabando gradativamente com a falsa concepção que alguns indivíduos têm de que mulher e esportes não combinam.